
Por Jason Lange
WASHINGTON, 24 Fev (Reuters) - Seis em cada dez norte-americanos, incluindo uma parte significativa dos republicanos, acham que o presidente Donald Trump se tornou errático com o avanço da idade, de acordo com uma nova pesquisa Reuters/Ipsos.
A pesquisa de seis dias foi concluída na segunda-feira, um dia antes de o presidente de 79 anos fazer seu discurso anual do Estado da União ao Congresso, após um mês de repreensões iradas a parlamentares e juízes.
No geral, 61% dos entrevistados na pesquisa disseram que descreveriam Trump como tendo “se tornado errático com a idade” -- 89% dos democratas, 30% dos republicanos e 64% dos independentes o descreveram dessa forma.
O porta-voz da Casa Branca Davis Ingle disse que os resultados da pesquisa são exemplos de “narrativas falsas e desesperadas” e que “a perspicácia, a energia incomparável e a acessibilidade histórica de Trump” o diferenciam de seu antecessor no cargo, o democrata Joe Biden.
A popularidade geral de Trump pouco mudou nos últimos meses: 40% dos entrevistados na pesquisa mais recente aprovavam o desempenho de Trump como presidente, um aumento de 2 pontos percentuais em relação ao início deste mês. Embora ele tenha começado seu mandato com uma avaliação consideravelmente mais alta, de 47%, sua aprovação tem se mantido dentro de um ou dois pontos do nível atual desde abril.
LIDERANÇA ENVELHECIDA
A maioria dos norte-americanos acha que a liderança política do país é, em geral, muito velha.
Setenta e nove por cento dos entrevistados concordaram com a afirmação de que “os políticos eleitos em Washington são muito velhos para representar a maioria dos americanos”. A idade média no Senado dos EUA é de cerca de 64 anos, e na Câmara dos Deputados dos EUA é de 58 anos.
Os entrevistados democratas foram ligeiramente mais propensos a pedir políticos mais jovens, com 58% deles afirmando que o líder democrata no Senado, Chuck Schumer, de 75 anos, é muito velho para trabalhar no governo.
Trump voltou ao cargo em janeiro de 2025, aos 78 anos, tornando-se o presidente mais velho na posse na história. Desde então, ele revelou novas políticas e propostas em um ritmo vertiginoso, ordenando tarifas abrangentes sobre as importações de dezenas de países e enviando agentes federais mascarados por todo o país para reprimir a imigração não autorizada.
Ele frequentemente adota um tom irritado em suas declarações públicas, incluindo na semana passada, quando disse estar “absolutamente envergonhado” pelo fato de a Suprema Corte dos EUA, de tendência conservadora, ter considerado ilegais muitas de suas tarifas. Trump passou a restabelecer uma série de novas tarifas, argumentando que poderia fazê-lo sob uma autoridade legal diferente. Em novembro, ele atacou os parlamentares democratas que instaram os membros das Forças Armadas dos EUA a recusar quaisquer ordens ilegais, chamando-os de traidores que poderiam enfrentar a execução.
IDADE PESOU NO ANTECESSOR BIDEN
Trump venceu a eleição presidencial de 2024 em parte porque Biden — seu antecessor democrata na Casa Branca — era amplamente visto como tendo perdido a acuidade mental à medida que envelhecia no cargo. Biden encerrou seu mandato aos 82 anos — mais velho do que qualquer presidente na história dos EUA. Trump está a caminho de bater esse recorde e completará 80 anos em junho.
Apenas 45% dos entrevistados na pesquisa de fevereiro disseram que descreveriam Trump como “mentalmente perspicaz e capaz de lidar com desafios”, uma queda em relação aos 54% registrados em uma pesquisa Reuters/Ipsos realizada em setembro de 2023.
Os republicanos continuam a ver o presidente como perspicaz, com 81% deles descrevendo o presidente dessa forma na pesquisa mais recente, pouca mudança em relação à pesquisa de 2023. Entre os democratas, a porcentagem que vê o presidente capaz de lidar com desafios caiu de 29% para 19%. Entre as pessoas que não se identificam com nenhum dos partidos políticos, 36% consideram que Trump mantém sua perspicácia mental, uma queda em relação aos 53% registrados em 2023.
A pesquisa Reuters/Ipsos, realizada online, entrevistou 4.638 adultos norte-americanos em todo o país e teve uma margem de erro de 2 pontos percentuais.
((Tradução Redação São Paulo))
REUTERS TR AC