
Por Abhijith Ganapavaram e Aditya Kalra
NOVA DELI, 24 Fev (Reuters) - Incidentes técnicos, como vazamentos de óleo do motor e combustível, que afetaram voos da Air India, atingiram sua maior taxa em pelo menos 14 meses em janeiro, conforme mostra um documento da empresa, o que evidencia a crescente pressão sobre os planos de reestruturação da companhia aérea.
A segunda maior companhia aérea da Índia está sob investigação do órgão regulador de segurança do país desde um acidente que matou 260 pessoas no ano passado. (link) Desde então, a empresa relatou diversas falhas de segurança e, em dezembro, admitiu a necessidade de melhorias urgentes na disciplina de processos, na comunicação e na cultura de conformidade. (link)"
Em janeiro, Air India registrou 1,09 incidentes técnicos por 1.000 voos, quadruplicando em relação aos 0,26 registrados em dezembro de 2024, segundo um documento analisado pela Reuters que a companhia aérea apresentou ao governo indiano em fevereiro. Dados anteriores não foram fornecidos.
Segundo o documento, que não é público, Air India operou mais de 17.500 voos em janeiro e registrou 23 incidentes técnicos em seus voos internacionais e domésticos. Pelo menos 21 desses incidentes foram investigados formalmente pela companhia aérea.
"Melhorias sistêmicas estão sendo implementadas em todas as operações de voo, treinamento, qualidade de engenharia e supervisão de procedimentos para evitar recorrências", diz o documento da Air India.
Em comunicado à Reuters, a companhia aérea afirmou ter implementado um "programa abrangente para fortalecer a confiabilidade técnica" em todas as suas operações e aumentado seu estoque de peças de reposição críticas em mais de 30% para melhorar a disponibilidade das aeronaves e reduzir as interrupções operacionais.
Air India acrescentou que também fez investimentos de capital significativos em infraestrutura de engenharia e ferramentas para reforçar suas operações técnicas.
O Ministério da Aviação Civil da Índia não respondeu às perguntas da Reuters.
O documento forneceu apenas comparações seletivas com as normas globais da indústria aérea, com base em dados que não são de domínio público, e não continha informações sobre a subsidiária de baixo custo da companhia aérea, Air India Express.
DESAFIOS AOS MONTES
Air India, pertencente ao Grupo Tata e à Singapore Airlines SIAL.SI, tem enfrentado dificuldades para reconstruir sua reputação e sua rede internacional, além de substituir sua frota obsoleta, prejudicada por atrasos na cadeia de suprimentos.
O fechamento do espaço aéreo do Paquistão para as companhias aéreas indianas devido às tensões diplomáticas também afetou suas finanças (link) e a obrigou a encerrar algumas rotas de longa distância.
O Ministério da Aviação Civil da Índia informou aos parlamentares neste mês que 82,5% das 166 aeronaves da Air India analisadas desde janeiro de 2025 apresentaram defeitos técnicos recorrentes, em comparação com 36,5% da líder de mercado IndiGo INGL.NS. O ministério não forneceu mais detalhes.
O documento da Air India afirmou que os incidentes técnicos relatados no mês passado incluíram avisos de parada do motor, problemas relacionados ao controle de voo e ao sistema hidráulico, além de vazamentos de óleo e combustível do motor.
Houve incidentes tanto em suas aeronaves Airbus AIR.PA quanto Boeing BA.N, incluindo cinco casos de vazamento de combustível ou óleo do motor no mês. Um voo Dubai-Mumbai, ao chegar, constatou que o nível de óleo de um dos motores estava "baixo".
Em outro incidente, um voo de Delhi para Dubai, em 12 de janeiro, foi forçado a retornar após a decolagem devido a "Sem água no banheiro e na cozinha", dizia o documento.
Os incidentes operacionais, incluindo decolagens abortadas, voos em altitude restrita e decolagens com configurações incorretas, representaram 0,29 por 1.000 voos em janeiro, mais que o dobro do nível registrado em dezembro de 2024, segundo o documento.
Mas houve uma "diminuição nos incidentes operacionais" nos últimos meses, acrescentou.
DANDO PASSOS
Air India possui uma frota de 191 aviões e já encomendou mais de 500 aeronaves.
Mas a modernização de uma companhia aérea que pertenceu ao governo indiano até 2022 tem sido um grande desafio, e o presidente-executivo da Air India, Campbell Wilson, tem reclamado repetidamente que as interrupções na cadeia de suprimentos atrasaram as reformas das cabines.
O documento da Air India de fevereiro detalhou as medidas que a empresa está tomando para "reduzir" os diversos problemas técnicos.
Para controlar os vazamentos, a empresa implementou um programa de inspeção periódica para sua frota de Airbus A320 e substituiu todas as mangueiras hidráulicas do sistema de direção em todos os seus Boeing 777.
Um programa periódico de verificação de vazamentos no sistema de ar condicionado também foi implementado, e Air India está executando "ações de engenharia direcionadas" para "fortalecer a confiabilidade das aeronaves e reduzir as taxas de incidentes", segundo o documento.
Os problemas da Air India também atraíram a atenção de órgãos reguladores internacionais. A autoridade de aviação britânica solicitou explicações à Air India (link) sobre o motivo de um jato Boeing Dreamliner, que foi impedido de voar ao chegar à Índia para verificações de segurança, ter decolado de Londres com um possível problema no interruptor de combustível, informou a Reuters este mês.
Segundo uma fonte com conhecimento do assunto, Air India respondeu que havia lembrado os pilotos da necessidade de operarem de acordo com os procedimentos adequados e que, por precaução, substituiu o módulo de controle do acelerador da aeronave.
A Autoridade de Aviação Civil do Reino Unido não respondeu de imediato ao pedido de comentários.