
WASHINGTON, 23 Fev (Reuters) - O presidente dos EUA, Donald Trump, advertiu nesta segunda-feira os países contra o recuo dos acordos comerciais recentemente negociados com os EUA, depois que a Suprema Corte derrubou suas tarifas de emergência, dizendo que ele os atingiria com tarifas muito mais altas sob diferentes leis comerciais.
Trump, em uma série de publicações nas redes sociais, disse que também pode impor taxas de licença aos parceiros comerciais, já que a incerteza sobre suas próximas medidas tarifárias tomou conta da economia global e fez com que as ações caíssem.
“Qualquer país que queira 'fazer joguinhos' com a ridícula decisão da Suprema Corte, especialmente aqueles que têm 'roubado' os EUA por anos, e até décadas, será recebido com uma tarifa muito mais alta e pior do que aquela que eles concordaram recentemente. COMPRADORES, CUIDADO!!!” Trump escreveu no Truth Social.
Trump disse que, apesar da decisão da corte de invalidar suas tarifas sob a Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional (IEEPA), a decisão confirmou sua capacidade de usar tarifas sob outras autoridades legais “de uma forma muito mais poderosa e desagradável, com certeza jurídica, do que as tarifas inicialmente utilizadas”.
Ele sugeriu que os EUA poderiam impor novas taxas de licença aos parceiros comerciais, mas não forneceu detalhes.
Um porta-voz do gabinete do Representante Comercial dos EUA não respondeu imediatamente a um pedido de comentários adicionais sobre os planos de Trump.
Em Bruxelas, o Parlamento Europeu decidiu nesta segunda-feira adiar a votação do acordo comercial da União Europeia com os EUA depois que Trump impôs uma nova tarifa temporária de 15% sobre as importações de todos os países.
Os produtos da UE abrangidos pelo acordo enfrentariam uma tarifa de 15% dos EUA, com isenções para centenas de itens alimentícios, peças de aeronaves, minerais essenciais, ingredientes farmacêuticos e outros produtos, enquanto a UE removeria as tarifas sobre muitas importações dos EUA, incluindo produtos industriais.
Trump anunciou inicialmente na sexta-feira a tarifa temporária de 10% nos termos da Seção 122 da Lei Comercial de 1974, mas aumentou-a para 15%, o máximo permitido pela lei, no sábado.
A nova tarifa entrará em vigor na terça-feira. No mesmo momento, a agência de Alfândega e Proteção de Fronteiras dos EUA disse que deixará de cobrar as tarifas IEEPA, agora ilegais, mais de três dias após a decisão da Suprema Corte.
INCERTEZA DESESTABILIZA MERCADOS
As ações de Wall Street caíam no início do pregão desta segunda-feira, com a renovada incerteza tarifária após a decisão da Suprema Corte deixando os investidores nervosos.
O índice do dólar norte-americano .DXY caía em relação às principais moedas.
O caminho a seguir para os acordos comerciais externos de Trump permanecia incerto, com a China instando Washington a descartar medidas tarifárias, a UE congelando sua aprovação e a Índia adiando as negociações planejadas.
O representante comercial dos EUA, Jamieson Greer, disse no fim de semana que o governo Trump esperava abrir novas investigações sobre práticas comerciais desleais nos termos da Seção 301 em vários países, uma medida legal que deve permitir que ele ameace com novas tarifas.
Trump usou sua postagem nas redes sociais para novamente criticar os juízes que decidiram contra ele, incluindo dois que ele havia nomeado durante seu primeiro mandato na Casa Branca. Em sua decisão, redigida pelo presidente conservador da Suprema Corte, John Roberts, o tribunal reafirmou seu poder de controlar o poder do presidente.
O presidente também expressou preocupação com a possibilidade de a Suprema Corte decidir contra a tentativa de seu governo de restringir a cidadania por direito de nascimento em sua próxima decisão sobre o caso.
(Reportagem de Susan Heavey, David Lawder e Doina Chiacu)
((Tradução Redação São Paulo)) REUTERS AC