
Por John Kruzel
WASHINGTON, 20 Fev (Reuters) - O presidente norte-americano, Donald Trump, criticou duramente nesta sexta-feira a Suprema Corte dos Estados Unidos e os seis juízes que derrubaram suas tarifas globais emblemáticas — incluindo dois que ele nomeou — em termos notavelmente pessoais, enquanto elogiava os três juízes que o apoiaram.
Embora os presidentes anteriores tenham criticado duramente as decisões da Suprema Corte contra eles, o longo discurso de Trump aos repórteres na Casa Branca se destacou por seu tom desdenhoso, bem como pela natureza pessoal de seu desprezo e elogios.
Isso representou um ataque notável de um presidente em exercício ao órgão judicial máximo dos EUA, mesmo depois que Trump e outros altos funcionários de seu governo, ao longo do último ano, terem atacado juízes de tribunais inferiores por decisões que impediam suas políticas desde que ele voltou ao cargo em janeiro de 2025.
A Suprema Corte, que tem uma maioria conservadora de 6 a 3, permitiu ao longo do último ano a ampla afirmação do poder executivo por Trump, com poucas exceções, em uma série de decisões emitidas em caráter emergencial.
Mas a decisão de sexta-feira representou uma derrota dolorosa para Trump. Ela foi redigida pelo presidente da Suprema Corte, John Roberts, e apoiada por dois pares conservadores que Trump nomeou durante seu primeiro mandato — Neil Gorsuch e Amy Coney Barrett —, bem como pelas três juízas progressistas.
“A decisão da Suprema Corte sobre as tarifas é profundamente decepcionante. E tenho vergonha de certos membros da corte — absolutamente vergonha — por não terem a coragem de fazer o que é certo para o nosso país”, disse Trump na abertura de seu discurso de 45 minutos.
Falando aos repórteres atrás de um púlpito mal iluminado na sala de imprensa da Casa Branca, Trump questionou o patriotismo de alguns dos juízes e afirmou que o tribunal “foi influenciado por interesses estrangeiros”, mas se recusou a fornecer qualquer prova.
E ele criticou Gorsuch e Barrett por se juntarem à decisão majoritária de 6 a 3 que derrubou suas tarifas — um dos seus instrumentos favoritos de política externa — impostas sob uma lei destinada a emergências nacionais.
“Acho que é uma vergonha para as famílias deles, quer saber a verdade, os dois”, disse Trump, referindo-se a Gorsuch e Barrett.
Trump elogiou uma opinião dissidente escrita nesta sexta-feira por outro juiz nomeado por ele, Brett Kavanaugh, que foi apoiada pelos conservadores Clarence Thomas e Samuel Alito.
“Gostaria de agradecer e parabenizar os juízes Thomas, Alito e Kavanaugh por sua força, sabedoria e amor pelo nosso país, que, neste momento, está muito orgulhoso desses juízes”, disse Trump. “Quando você lê as opiniões dissidentes, não há como alguém argumentar contra elas.”
Kavanaugh escreveu que a decisão do tribunal contra Trump não impedia necessariamente o presidente “de impor a maioria, se não todas, dessas mesmas tarifas sob outras autoridades estatutárias”, acrescentando que “a decisão do tribunal provavelmente não restringirá muito a autoridade presidencial sobre tarifas no futuro”.
“Em essência, o tribunal conclui hoje que o presidente marcou a opção errada ao se basear em (uma lei de poderes econômicos de emergência) em vez de outra lei para impor essas tarifas”, escreveu Kavanaugh.
Trump mencionou repetidamente Kavanaugh, que ele nomeou para um cargo vitalício no tribunal em 2018 e apoiou durante uma dura batalha de confirmação no Senado, na qual o candidato negou acusações de agressão sexual que remontam a décadas.
“Gostaria de agradecer ao juiz Kavanaugh por sua, francamente, genialidade e grande habilidade”, disse Trump. “Estou muito orgulhoso dessa nomeação.”
Trump chamou as três juízas progressistas de “as democratas no tribunal”.
“Elas são um não automático, assim como no Congresso. Elas são um não automático. Elas são contra qualquer coisa que torne a América forte, saudável e grande novamente”, disse Trump. “Elas também são, francamente, uma vergonha para nossa nação, essas juízas.”
((Tradução Redação São Paulo))
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