
Por Tom Balmforth e Gram Slattery e Jonathan Landay
MUNIQUE, 19 Fev (Reuters) - Chefes dos serviços de inteligência europeus estão pessimistas quanto às chances de se chegar a um acordo este ano para pôr fim à guerra da Rússia na Ucrânia, apesar das afirmações de Donald Trump de que as negociações mediadas pelos EUA trouxeram a perspectiva de um acordo “razoavelmente próximo”.
Os chefes de cinco agências de espionagem europeias, que falaram à Reuters nos últimos dias sob condição de anonimato, disseram que a Rússia não quer acabar com a guerra rapidamente. Quatro deles afirmaram que Moscou está usando as negociações com os EUA para pressionar pelo alívio das sanções e acordos comerciais.
As negociações — cuja última rodada ocorreu em Genebra esta semana — são um “teatro de negociações”, disse um chefe de inteligência europeu.
As falas apontam para um abismo no pensamento entre as capitais europeias e a Casa Branca, que, segundo a Ucrânia, quer fechar um acordo de paz até junho, antes das eleições legislativas de meio de mandato nos EUA em novembro. Trump diz acreditar que o presidente russo, Vladimir Putin, quer chegar a um acordo.
“A Rússia não está buscando um acordo de paz. Eles estão buscando seus objetivos estratégicos, e esses não mudaram”, declarou um dos chefes de inteligência europeus. Isso inclui a destituição do líder ucraniano Volodymyr Zelenskiy e que a Ucrânia se torne uma zona tampão “neutra” para o Ocidente.
A questão principal, disse um segundo chefe de inteligência, é que a Rússia não quer nem precisa de uma paz rápida e sua economia “não está à beira do colapso”.
Embora os chefes de inteligência não tenham revelado como obtiveram suas informações, seus serviços utilizam fontes humanas, comunicações interceptadas e vários outros meios. Todos afirmaram que consideram a Rússia um alvo prioritário para a coleta de informações.
O Ministério das Relações Exteriores da Rússia não respondeu imediatamente a um pedido por escrito para comentar o assunto.
Putin afirma que está disposto a alcançar a paz, mas nos seus termos. Autoridades russas dizem que os governos europeus têm se enganado repetidamente em suas avaliações sobre a Rússia.
DIPLOMACIA INTENSA
Os negociadores ucranianos e russos se reuniram esta semana para sua terceira reunião mediada pelos EUA em 2026, sem qualquer avanço em pontos-chave, incluindo território.
Moscou quer que Kiev retire suas forças dos 20% restantes da região de Donetsk que a Rússia não controla, algo que a Ucrânia se recusa a fazer.
O segundo chefe de espionagem disse que a Rússia poderia ficar satisfeita territorialmente se obtivesse o resto de Donetsk, mas isso não cumpriria seu objetivo de derrubar o governo pró-Ocidente de Zelenskiy.
Um terceiro chefe de inteligência afirmou que há uma crença equivocada de que a cessão de Donetsk pela Ucrânia levaria rapidamente a um acordo de paz.
“No caso de os russos obterem essas concessões, eu (acho) que isso talvez seja o início de negociações reais”, disse a autoridade, prevendo que a Rússia faria então novas exigências.
O chefe de espionagem, sem fornecer provas, também expressou preocupação com o nível “muito limitado” de habilidade em negociar com a Rússia em todo o Ocidente, incluindo o lado europeu, que Zelenskiy diz que deveria ter um papel ativo nas negociações.
O lado norte-americano é liderado por Steve Witkoff, um incorporador imobiliário e amigo de longa data de Trump, e Jared Kushner, genro do presidente dos EUA.
Ambos trabalharam em outros conflitos em nome de Trump, mas nenhum deles é diplomata treinado nem tem qualquer experiência específica sobre a Rússia ou a Ucrânia.
Em resposta a um pedido de comentário, a porta-voz da Casa Branca Anna Kelly disse que críticas anônimas não ajudam os esforços dos EUA para resolver a guerra. “O presidente Trump e sua equipe fizeram mais do que ninguém para reunir os dois lados a fim de parar as mortes e chegar a um acordo de paz.”
((Tradução Redação São Paulo))
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