tradingkey.logo

Polícia prende Andrew, irmão do rei Charles, por má conduta relacionada a Epstein

Reuters19 de fev de 2026 às 12:54

Por Michael Holden e Sam Tabahriti

- O irmão mais novo do rei Charles, Andrew Mountbatten-Windsor, foi preso nesta quinta-feira sob suspeita de má conduta em função pública, por supostamente ter enviado documentos confidenciais do governo britânico a Jeffrey Epstein.

Mountbatten-Windsor, que completou 66 anos nesta quinta, foi preso e interrogado por detetives da Polícia do Vale do Tâmisa, que neste mês anunciou estar investigando alegações de que ele teria repassado documentos ao falecido criminoso sexual enquanto trabalhava como enviado comercial.

"Após uma avaliação minuciosa, abrimos uma investigação sobre esta alegação de má conduta em cargo público", disse o chefe assistente de polícia do Vale do Tâmisa, Oliver Wright, em um comunicado.

"Entendemos o grande interesse público neste caso e forneceremos atualizações no momento oportuno."

O ex-príncipe, segundo filho da falecida rainha Elizabeth, está sob custódia policial. Ele sempre negou qualquer irregularidade em relação a Epstein e disse se arrepender da amizade entre eles.

Mas Andrew não respondeu a pedidos de comentários desde a última divulgação em massa de documentos pelo governo dos EUA. O gabinete de Mountbatten-Windsor também não respondeu a um pedido de comentário.

Ele se torna o primeiro membro sênior da família real a ser preso dessa maneira, representando o maior escândalo do reinado de seu irmão mais velho.

"Recebi com profunda preocupação a notícia sobre Andrew Mountbatten-Windsor e a suspeita de má conduta em cargo público", disse o rei Charles em um comunicado, acrescentando que as autoridades contam com o "apoio e a cooperação total e incondicional" da família real.

"Deixe-me afirmar claramente: a lei tem que seguir seu curso. Como esse processo continua, não seria correto da minha parte comentar mais sobre o assunto. Enquanto isso, minha família e eu continuaremos cumprindo nosso dever e servindo a todos vocês."

CARROS POLICIAIS DESCARACTERIZADOS

A mídia britânica publicou fotos de seis carros policiais descaracterizados e cerca de oito policiais à paisana que chegaram à Wood Farm, na propriedade de Sandringham, no leste da Inglaterra, onde Mountbatten-Windsor reside atualmente.

A Polícia do Vale do Tâmisa informou que agentes também estavam realizando buscas em uma propriedade em Berkshire, onde o ex-príncipe residia na propriedade do rei em Windsor até ser forçado a sair em meio à indignação causada pelas revelações sobre Epstein.

Embora a prisão signifique que a polícia tem suspeita razoável de que um crime foi cometido e que o membro da família real é suspeito de envolvimento em um delito, isso não implica culpa.

Uma condenação por má conduta em cargo público acarreta pena máxima de prisão perpétua e deve ser julgada em uma Corte da Coroa, que lida apenas com os crimes mais graves.

Em 2022, o ex-príncipe fez um acordo extrajudicial em um processo movido nos Estados Unidos pela falecida Virginia Giuffre, que o acusou de abuso sexual quando ela era adolescente. A investigação policial não está relacionada a essa ou a qualquer outra alegação de conduta sexual imprópria.

O ex-príncipe foi forçado a renunciar a todas as suas funções reais oficiais em 2019 devido aos seus laços com Epstein e, em outubro passado, teve seus títulos e honrarias cassados ​​por seu irmão mais velho, em meio a novas revelações sobre o relacionamento entre os dois.

ARQUIVOS DE EPSTEIN MOTIVAM NOVA DENÚNCIA À POLÍCIA

Mountbatten-Windsor foi denunciado à polícia pelo grupo antimonarquista Republic, após a divulgação de mais de 3 milhões de páginas de documentos relacionados a Epstein, que foi condenado por aliciar uma menor para prostituição em 2008.

Esses arquivos sugeriam que Mountbatten-Windsor havia encaminhado a Epstein, em 2010, relatórios sobre Vietnã, Cingapura e outros lugares que ele visitou em viagens oficiais.

A Polícia do Vale do Tâmisa e a procuradoria já haviam declarado estar em negociações sobre o caso. A polícia afirmou que as alegações de má conduta em função pública, que é um crime de "Direito Comum" e, portanto, não é abrangido por legislação estatutária, envolvem "complexidades particulares". Caso Mountbatten-Windsor venha a enfrentar acusações criminais, ele se juntará a um seleto grupo de membros da realeza britânica que foram formalmente acusados ​​de delitos.

Sua irmã mais velha, a princesa Anne, foi multada por excesso de velocidade em 2001 e, no ano seguinte, tornou-se a primeira integrante da realeza a ser condenada por um crime em 350 anos, ao comparecer ao tribunal e se declarar culpada por não ter impedido que uma de suas cadelas, chamada Dotty, mordesse duas crianças.

O rei Charles 1º foi julgado por traição em 1649, perto do fim da Guerra Civil Inglesa, considerado culpado e decapitado.

((Tradução Redação São Paulo)) REUTERS TR

Aviso legal: as informações fornecidas neste site são apenas para fins educacionais e informativos e não devem ser consideradas consultoria financeira ou de investimento.

Artigos relacionados

KeyAI