
Por Sabine Siebold e Mike Stone
BERLIM/WASHINGTON, 19 Fev (Reuters) - A Alemanha está considerando encomendar mais caças F-35 fabricados nos EUA, disseram duas fontes à Reuters, uma medida que aumentaria a dependência de Berlim em relação à tecnologia militar norte-americana, enquanto seu programa conjunto de caças de próxima geração com a França enfrenta dificuldades.
Uma fonte afirmou que Berlim estava em negociações que poderiam levar à compra de mais de 35 jatos adicionais. Uma segunda fonte não especificou o número. Ambas as fontes alertaram que o resultado ainda era incerto.
Questionado sobre o assunto, um porta-voz do governo alemão negou que haja planos atuais para a compra de mais caças F-35.
"Não há planos, e não há nenhuma decisão", disse o porta-voz.
Em 2022, a Alemanha adquiriu 35 dessas aeronaves, cuja entrega deve começar ainda este ano.
A colaboração franco-alemã em caças a jato está em crise.
A possível aquisição de mais caças furtivos da Lockheed Martin LMT.N, a um custo superior a US$ 80 milhões cada, surge num momento em que a Alemanha e a França estão em impasse quanto ao seu programa Sistema Aéreo de Combate Futuro (FCAS).
O projeto de 100 bilhões de euros (US$ 118 bilhões), lançado em 2017 para substituir os caças Rafale e Eurofighter da França a partir de 2040, está paralisado devido a rivalidades industriais (link).
Fontes internas esperam que a Alemanha e a França abandonem o desenvolvimento de um caça conjunto, mas continuem a cooperação em drones e na chamada nuvem de combate, a infraestrutura digital que liga plataformas tripuladas e não tripuladas dentro do sistema FCAS.
A compra de mais caças F-35 daria à Alemanha tempo para encontrar uma solução para o desenvolvimento de um caça de sexta geração e um parceiro para tal projeto.
Um porta-voz da empresa de defesa Lockheed Martin LMT.N afirmou que a empresa está focada na construção dos caças F-35 já encomendados pela Alemanha. Um porta-voz do Pentágono encaminhou as perguntas à Alemanha.
A expansão da frota alemã de F-35 representaria uma mudança estratégica significativa rumo a uma integração militar mais profunda com os Estados Unidos e um afastamento da autonomia de defesa europeia, uma prioridade para a França, também membro da União Europeia.
O chanceler alemão Friedrich Merz questionou na quarta-feira se desenvolver um caça tripulado de sexta geração (link), como o FCAS procurou fazer, ainda fazia sentido para a força aérea de seu país.
"Ainda precisaremos de um caça tripulado daqui a 20 anos? Ainda precisaremos dele, considerando o alto custo de desenvolvimento?", questionou Merz no podcast Machtwechsel.
O avião F-35 substituirá os caças Tornado em sua função de transportar as bombas nucleares americanas armazenadas na Alemanha em caso de conflito.
O ministro da Defesa alemão, Boris Pistorius, disse na semana passada que o destino do FCAS ficaria claro em poucos dias.
(US$ 1 = 0,8480 euros)