
BERLIM, 18 Fev (Reuters) - “Moscas”, que disputa o Festival de Cinema de Berlim, é uma história sobre como se abrir para os outros pode permitir que algo especial aconteça, disse seu diretor mexicano Fernando Eimbcke.
“É uma história sobre solidão, sobre luto, sobre como se conectar com outras pessoas”, disse ele à Reuters antes da estreia.
O filme traça um paralelo com abrir uma janela para deixar sair uma mosca que zumbia pela casa — e, inadvertidamente, permitir que algo positivo entre.
“Quando há uma mosca em sua casa, quando você abre as janelas, algo especial acontece”, disse Eimbcke.
Filmado em preto e branco, o segundo filme de Eimbcke a concorrer ao prêmio máximo do festival começa com Olga, interpretada por Teresita Sánchez, que está tentando livrar seu apartamento na Cidade do México de uma mosca irritante.
Enfrentando um procedimento médico inesperado e caro, Olga precisa alugar seu quarto vago para um estranho, que traz seu filho pequeno, Cristian, escondido. A vida tranquila e cheia de rotina de Olga é logo interrompida, e ela é forçada a se adaptar à presença da criança.
“Moscas” está entre os 22 títulos que disputam o prêmio máximo do festival, o Urso de Ouro, que será entregue na cerimônia de encerramento no sábado à noite.
O cinema mexicano está cada vez mais forte, disse Eimbcke, mencionando o aumento do financiamento e o sucesso do cineasta Guillermo del Toro.
“Há também filmes mexicanos em todas as seções da Berlinale, e certamente mais filmes mexicanos chegarão aos principais festivais”, disse ele.
TRABALHANDO COM UM ATOR INFANTIL
Para “Moscas”, Eimbcke disse que trabalhar com um ator infantil, Bastian Escobar, o fez adaptar a forma como dirigiu a história que também coescreveu.
“Ele me ensinou a dirigir. Eu me adaptei ao Bastian. Meu trabalho era apenas observar”, disse o diretor, que veio ao festival pela primeira vez há duas décadas com o programa de networking Berlin Talents.
Para Bastian, a experiência foi “muito legal”.
“Eu tinha muita energia naqueles momentos em que estava atuando, quando a câmera estava focada em mim e eu estava falando e me movimentando”, disse ele à Reuters.
(Reportagem de Hanna Rantala e Miranda Murray)
((Tradução Redação São Paulo))
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