
Por Olivia Le Poidevin
GENEBRA, 17 Fev (Reuters) - Um órgão independente das Nações Unidas condenou nesta terça-feira o que descreveu como ataques violentos baseados em desinformação por parte de vários ministros europeus contra a relatora especial da organização para a Palestina, Francesca Albanese.
Na semana passada, vários países europeus, incluindo Alemanha, França e Itália, pediram a renúncia de Albanese por suas supostas críticas a Israel. Albanese, uma advogada italiana, nega ter feito tais comentários.
Na sexta-feira, o ministro das Relações Exteriores da República Tcheca, Petr Macinka, citou Albanese no X como tendo chamado Israel de “inimigo comum da humanidade” e também pediu sua renúncia.
Uma transcrição das declarações de Albanese feitas em Doha em 7 de fevereiro, vista pela Reuters, não caracterizou Israel dessa forma, embora ela tenha criticado consistentemente o país no passado pelo conflito em Gaza.
O Comitê de Coordenação da ONU -- órgão composto por seis especialistas independentes que coordena e facilita o trabalho dos relatores especiais -- acusou os ministros europeus de se basearem em “fatos fabricados”.
“Em vez de exigir a renúncia da Sra. Albanese por cumprir seu mandato... esses representantes governamentais deveriam unir forças para responsabilizar, inclusive perante o Tribunal Penal Internacional, líderes e autoridades acusados de cometer crimes de guerra e crimes contra a humanidade em Gaza”, afirmou o Comitê.
Ele disse que a pressão exercida sobre Albanese faz parte de uma tendência crescente de ataques maliciosos e motivados politicamente contra especialistas independentes em direitos humanos, funcionários da ONU e juízes de tribunais internacionais.
O governo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, impôs sanções a Albanese depois que ela escreveu cartas a empresas americanas acusando-as de contribuir para graves violações dos direitos humanos por parte de Israel em Gaza e na Cisjordânia.
Os especialistas da ONU são nomeados pelo Conselho de Direitos Humanos, com sede em Genebra, para monitorar e documentar crises específicas de direitos humanos, mas são independentes da própria organização.
Não há precedentes para a destituição de um relator especial durante seu mandato, embora diplomatas tenham afirmado que os 47 membros do conselho poderiam, em teoria, propor uma moção nesse sentido.
No entanto, eles disseram que o forte apoio aos direitos palestinos dentro do órgão significa que tal moção provavelmente não seria aprovada.