
Por Gilles Guillaume
PARIS, 13 Fev (Reuters) - A Stellantis STLAM.MI, dona das marcas Fiat e Jeep, está discretamente ressuscitando versões a diesel de pelo menos sete modelos de carros e vans de passageiros em toda a Europa, à medida que se afasta dos veículos elétricos, de acordo com uma análise dos sites dos revendedores e declarações da empresa à Reuters.
A Stellantis, quarta maior montadora do mundo, começou no final de 2025 a reintroduzir versões a diesel na Europa de veículos que vão desde vans de passageiros até o Peugeot 308 e o hatchback premium DS No. 4.
As vendas de veículos elétricos ficaram aquém das expectativas e a mudança de estratégia ocorre no momento em que a Europa reduz metas de emissões de poluentes, o que permitirá que os motores a combustão permaneçam em uso por mais tempo.
Os Estados Unidos, principal mercado da Stellantis, também estão se afastando dos veículos elétricos sob o governo do presidente Donald Trump, cuja administração revogou esta semana uma conclusão científica de que as emissões de gases de efeito estufa colocam em risco a saúde humana. Com isso o governo Trump eliminou padrões de emissões de poluentes dos escapamentos de carros e caminhões usados em medições.
“Decidimos manter os motores a diesel em nosso portfólio de produtos e, em alguns casos, aumentar nossa oferta de motores”, disse a empresa à Reuters. “Na Stellantis, queremos gerar crescimento, por isso estamos focados na demanda dos clientes.”
VANTAGEM COMPETITIVA ANTE CHINESES
Ainda em 2015, os veículos a diesel representavam pelo menos 50% das vendas de carros novos na Europa, mas vêm diminuindo desde o escândalo “Dieselgate” naquele ano, quando algumas das maiores montadoras do mundo foram acusadas de manipular resultados de testes de emissões de poluentes.
De acordo com dados do grupo automotivo europeu ACEA, os veículos a diesel representavam apenas 7,7% das vendas de carros novos em todo o continente em 2025, enquanto os carros totalmente elétricos representavam 19,5%.
Muitas montadoras abandonaram completamente os motores a diesel, enquanto a própria Stellantis oferece apenas alguns modelos, em comparação com dezenas há apenas cinco anos.
Mas, fundamentalmente, é um segmento em que os rivais chineses em ascensão, especializados em veículos elétricos, não competem. Os veículos a diesel também têm um preço muito mais baixo do que os modelos totalmente elétricos, o que lhes dá uma vantagem competitiva num momento em que as montadoras europeias tentam afastar a competição das fabricantes chinesas.
A Stellantis anunciou na semana passada 22,2 bilhões de euros (US$ 26,4 bilhões) em encargos, à medida que reduz suas ambições em relação aos veículos elétricos, levando suas ações ao nível mais baixo desde a criação do grupo em 2021, quando ocorreu a fusão da Fiat Chrysler e da PSA, fabricante da Peugeot.
A empresa havia dito anteriormente que os carros totalmente elétricos deveriam representar 100% de suas vendas na Europa e 50% das vendas nos Estados Unidos até 2030, mas a demanda em ambos os mercados ficou aquém das expectativas.
A Stellantis já trouxe de volta modelos populares com motor a combustão, como o Jeep Cherokee e seu potente motor “Hemi” de oito cilindros, como parte da estratégia para recuperar participação no mercado norte-americano. No ano passado, ela adicionou uma versão híbrida a gasolina do compacto Fiat 500, além da versão elétrica.
Na Europa — onde as vendas da empresa caíram 3,9% em 2025 e 7,3% em 2024 — versões a diesel do Astra, da Opel, do SUV Peugeot Rifter de sete lugares, da van de passageiros Citroën Berlingo e outros estão sendo trazidas de volta.
A Stellantis também continuará produzindo modelos a diesel, como o SUV premium DS7, os SUVs Tonale e Stelvio e o sedã Giulia da Alfa Romeo, “em resposta à demanda sustentada dos clientes”, afirmou o grupo automotivo.
“CONTRARIANDO TENDÊNCIA"
Dados do mercado online CarGurus mostram que o total de novos modelos a diesel no Reino Unido também caiu, de 167 em 2020 para 57 em 2025. Coletivamente, as marcas que a Stellantis vende na Reino Unido, por exemplo, oferecem apenas quatro modelos a diesel hoje, contra 26 em 2020.
“Se você observar a direção da tendência em relação ao diesel, a Stellantis agora parece estar contrariando a tendência”, disse Chris Knapman, diretor editorial da CarGurus no Reino Unido.
Knapman disse que o diesel ainda faz sentido para compradores de carros que precisam dirigir longas distâncias sem reabastecer ou que precisam de mais potência.
“Além disso, as marcas de carros chinesas estão chegando com muitos carros elétricos e híbridos plug-in novos”, disse ele. “Se você é uma marca europeia que busca se diferenciar, o diesel é uma área em que você pode ter uma vantagem competitiva sobre essas marcas mais novas.”
((Tradução Redação São Paulo, 55 11 56447753))
REUTERS AAJ