
Por David Lawder e Alexandra Alper e Courtney Rozen
WASHINGTON, 10 Fev (Reuters) - O secretário do Departamento de Comércio dos Estados Unidos, Howard Lutnick, procurou distanciar-se de Jeffrey Epstein nesta terça-feira, alegando que "quase não tinha nada a ver" com o criminoso sexual, em meio a pedidos para que ele renuncie ao cargo devido a novas revelações sobre os laços entre os dois.
Em janeiro, o Departamento de Justiça dos EUA publicou milhões de novos arquivos relacionados a Epstein, incluindo emails mostrando que Lutnick aparentemente teria visitado a ilha particular de Epstein para almoçar anos depois de afirmar que havia cortado os laços com ele. Lutnick agora enfrenta pedidos de renúncia de ambos os lados do espectro político.
O secretário se defendeu em uma audiência no Senado, dizendo que os dois homens trocaram apenas cerca de 10 emails, se encontraram três vezes ao longo de 14 anos, e que o almoço com Epstein só aconteceu porque Lutnick estava em um barco perto da ilha dele, acrescentando que sua família estava presente.
"Eu não tinha nenhum relacionamento com ele. Eu mal tinha qualquer contato com essa pessoa", disse ele a uma comissão do Senado ao ser questionado pelo senador democrata Chris Van Hollen.
Lutnick é apenas um dos muitos homens poderosos da política, dos negócios e do entretenimento, incluindo o próprio presidente dos EUA, Donald Trump, que estão sob fogo cruzado por suas ligações com Epstein, refletindo os círculos da elite em que Epstein vivia.
O secretário também está em maus lençóis devido às aparentes contradições entre os documentos e suas declarações anteriores sobre Epstein, que morava ao lado do CEO da Cantor Fitzgerald em Nova York na época.
Lutnick havia afirmado anteriormente que jurou nunca mais "ficar na mesma sala" que Epstein após um incidente em 2005, no qual o financista teria mostrado a Lutnick uma mesa de massagem em sua casa e feito um comentário sexualmente sugestivo.
Mas emails mostram que, além do almoço em 2012, o assistente de Epstein encaminhou a ele, em novembro de 2015, um convite de Lutnick para uma arrecadação de fundos em sua empresa financeira para a candidata presidencial democrata Hillary Clinton.
"Eu sei e minha esposa sabe que não fiz absolutamente nada de errado em nenhum aspecto", disse Lutnick na audiência.
A audiência ocorre um dia após a associada de Epstein, Ghislaine Maxwell, se recusar a responder perguntas em um depoimento perante o Comitê de Supervisão e Reforma Governamental da Câmara dos Deputados dos EUA na segunda-feira, de acordo com parlamentares, atraindo críticas de membros republicanos e democratas do colegiado.
(Reportagem de David Lawder, Alexandra Alper e Courtney Rozen)
((Tradução Redação Brasília))
REUTERS MCM