
10 Fev (Reuters) - O político venezuelano da oposição Juan Pablo Guanipa está em prisão domiciliar na cidade de Maracaibo, disse seu filho Ramón Guanipa nesta terça-feira, logo após o aliado próximo da ganhadora do Prêmio Nobel da Paz María Corina Machado ter sido libertado da prisão e recapturado.
“Confirmo que meu pai, Juan Pablo Guanipa, está em minha casa em Maracaibo”, disse seu filho em uma postagem no X. “Estamos aliviados por saber que minha família estará reunida em breve.”
“Meu pai ainda está injustamente preso”, acrescentou Ramón Guanipa, “porque prisão domiciliar ainda é prisão e exigimos sua liberdade total e a de todos os presos políticos”.
O governo da Venezuela anunciou uma série de libertações de presos em meio à pressão dos Estados Unidos, depois que os EUA capturaram o presidente Nicolás Maduro em um ataque a Caracas ordenado pelo presidente Donald Trump. O governo nega manter presos políticos e afirma que os presos cometeram crimes.
Juan Pablo Guanipa, advogado e político de 61 anos, foi libertado da prisão no domingo, mas foi preso novamente algumas horas depois, após falar com a mídia em Caracas e se encontrar com apoiadores. A Procuradoria-Geral da Venezuela afirmou que ele foi preso novamente por supostamente violar os termos de sua libertação.
Ramón Guanipa disse que seu pai foi levado à força por homens não identificados que colocaram uma camiseta sobre sua cabeça e não o deixaram levantar a cabeça do chão da van em que foi transportado.
Seu paradeiro era desconhecido até que seu filho confirmou na terça-feira que ele estava em Maracaibo, capital do Estado de Zulia, rico em petróleo, de onde toda a família é originária.
“Ele foi libertado da prisão, mas continua em prisão domiciliar”, disse Ramón Guanipa. “Ele não pode fazer declarações, não pode sair. Ou seja, ele está menos livre do que estava no domingo.”
Ele acrescentou que, embora a segunda prisão tenha sido muito mais violenta do que a primeira, seu pai estava bem fisicamente.
Autoridades do governo afirmaram que quase 900 prisioneiros foram libertados, mas não esclareceram quando isso ocorreu. A oposição e grupos de direitos humanos da Venezuela afirmam há anos que o governo usa as detenções para reprimir a dissidência.
Guanipa ficou preso por mais de oito meses sob a acusação de liderar uma conspiração terrorista, o que ele negou. Antes disso, ele viveu na clandestinidade após a eleição presidencial de 2024, que a oposição afirma ter vencido, embora Maduro tenha reivindicado a vitória.
(Reportagem da equipe da Reuters)
((Tradução Redação São Paulo))
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