
Por Ossian Shine
MILÃO, 6 Fev (Reuters) - A entidade reguladora do esqui mundial agiu rapidamente para acabar com os rumores de que os saltadores de esqui injetam parafina ou ácido hialurônico em seus pênis para obter vantagem competitiva, mas cientistas e saltadores de esqui nas Olimpíadas de Inverno afirmam que, se isso for verdade, faria todo o sentido.
O episódio mais estranho das Olimpíadas ganhou destaque quando a Agência Mundial Antidoping (WADA) afirmou na quinta-feira que estaria atenta a qualquer evidência de que saltadores de esqui masculinos estivessem aumentando artificialmente seus pênis na tentativa de manipular uma das regras do esporte.
O comentário da WADA veio depois que ela foi questionada sobre uma reportagem do jornal alemão Bild, que afirmou ter descoberto rumores internos sobre a prática ser usada para alterar a medida do traje de salto de esqui dos atletas, garantindo assim um traje maior e mais aerodinâmico para toda a temporada.
Embora a FIS, entidade reguladora do esporte, tenha tentado descartar o caso como um "boato sem fundamento" — afirmando que "nunca houve qualquer indício, muito menos evidência" de que a prática estivesse sendo empregada —, o saltador olímpico esloveno Cene Prevc, medalhista olímpico de prata, disse à Reuters que as reportagens não eram nenhuma surpresa para ele.
"É um assunto que foi muito comentado há um mês no mundo do salto de esqui", disse Prevc, que conquistou a prata nas Olimpíadas de Pequim 2022, em entrevista, acrescentando que nunca fez isso, nem conhece ninguém que o tenha feito.
EXAME DE CORPO INTEIRO
Os saltadores de esqui de elite passam por uma varredura corporal completa para garantir que seus trajes justos não tenham material extra que lhes daria mais impulso ao voar pelo ar.
A virilha do traje de um saltador de esqui pode chegar até a parte inferior dos genitais do atleta, o que significa que um pênis aumentado lhes daria mais material com potencial para melhorar o desempenho.
Embora nenhum atleta ou treinador tenha dito conhecer alguém que pratique esse método, a saltadora de esqui norueguesa Eirin Maria Kvandal pareceu falar por muitos com sua reação.
"Acho isso horrível", disse ela, fazendo uma careta. "É um grande passo a ser dado para obter uma vantagem."
A ciência, porém, parece ser convincente.
Um estudo publicado pela revista científica Frontiers sugeriu que uma pequena mudança no ajuste pode ter consequências reais quando o atleta sai da rampa, com modelos computacionais mostrando um aumento de 2,8 metros no comprimento do salto para cada centímetro extra de tecido.
"Quanto maior a área de superfície — quanto mais superfície eles expõem enquanto estão no ar — mais longe eles vão", disse Marco Belloli, diretor do departamento de mecânica da Universidade Politécnica de Milão, à Reuters.
"Obviamente, é como se fossem um planador, então quanto maior a superfície da asa, mais longe eles podem viajar."
"E então o truque é que, durante a fase de medição, eles tentam aumentar o volume corporal aparente do saltador para que o traje fique maior, a superfície da asa aumente, sem aumentar significativamente a massa do atleta — essencialmente, seu peso."
A questão chamou a atenção em parte porque a manipulação do traje já levou a sanções no esporte.
Dois medalhistas olímpicos noruegueses, Marius Lindvik e Johann Andre Forfang, foram suspensos por três meses no ano passado depois que sua equipe foi flagrada ajustando secretamente as costuras na região da virilha de seus trajes no Campeonato Mundial de Esqui de 2025.
(Reportagem adicional de Elvira Pollina, Julien Pretot, Karolos Grohmann, Ursa Presern, Iain Axon, Liz Hampton, Tommy Lund e Giselda Vagnoni)
((Tradução Redação São Paulo))
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