
Por Dave Sherwood e Nelson Acosta
HAVANA, 5 Fev (Reuters) - O presidente cubano Miguel Diaz-Canel disse nesta quinta-feira que seu governo deve lançar um plano na próxima semana para lidar com a escassez de combustível, à medida que os Estados Unidos tomam medidas para bloquear o fornecimento de petróleo à nação insular do Caribe.
As tensões aumentaram na semana passada após os EUA anunciarem que devem aplicar tarifas sobre produtos de países que enviarem petróleo para Cuba, elevando os preços dos alimentos e do transporte, provocando grave escassez de combustível e horas de apagões, mesmo na capital Havana.
O presidente dos EUA, Donald Trump, disse no mês passado que Cuba não vai mais receber petróleo de seu maior fornecedor, a Venezuela.
"(O bloqueio dos EUA) afeta o transporte público, hospitais, escolas, a economia e o turismo", disse Diaz-Canel em uma ampla coletiva de imprensa televisionada de duas horas.
"Como cultivamos nossa terra? Como nos locomovemos? Como mantemos nossos filhos nas aulas sem combustível?"
"Vamos tomar medidas que, embora não sejam permanentes, exigirão esforço. Algumas... são restritivas, exigindo que ajustemos o consumo e promovamos a economia. Há coisas que temos que parar ou adiar para continuar funcionando em áreas essenciais."
APAGÃO
Uma falha em subestação causou um apagão total na noite de quarta-feira em cinco províncias no leste de Cuba, enquanto o governo da ilha luta para manter as luzes acesas diante do abastecimento de combustível cada vez mais escasso e da infraestrutura falha.
Diaz-Canel reiterou nesta quinta-feira declarações anteriores do Ministério das Relações Exteriores de Cuba concordando em dialogar com os Estados Unidos, mas com condições.
"Cuba está disposta a dialogar, mas com a única exigência de que o governo dos EUA não tente interferir nos assuntos internos de Cuba, nem prejudique nossa soberania", disse o presidente cubano.
O principal diplomata de Cuba nos Estados Unidos, Carlos Fernandez de Cossio, disse à Reuters nesta semana que Cuba havia começado a se comunicar com o governo dos EUA, mas ainda não havia estabelecido um diálogo bilateral formal.
Diaz-Canel não forneceu detalhes sobre essas conversas ou as medidas a serem implementadas na próxima semana, mas delineou um plano mais amplo para lidar com a pressão dos EUA.
Segundo ele, a ilha deve aumentar a geração de energia solar e usar recursos renováveis para garantir eletricidade para serviços essenciais, incluindo hospitais, centros de atendimento a idosos e regiões isoladas.
Cuba produz cerca de 1.000 megawatts, ou 38% de sua geração diurna, a partir de painéis solares, disse Diaz-Canel. Eles foram instalados com o apoio da China nos últimos dois anos.
Diaz-Canel disse que Cuba está trabalhando para aumentar a extração de petróleo bruto e a capacidade de armazenamento para aumentar sua autossuficiência.
Ele também argumenta que Cuba tem o "direito" de receber entregas de combustível por via marítima.
"Continuaremos a tomar todas as medidas necessárias para garantir que o país possa receber novamente importações de combustível", afirmou.
(Reportagem de Dave Sherwood e Nelson Acosta)
((Tradução Redação Brasília))
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