
Por Arsheeya Bajwa e Juby Babu
5 Fev (Reuters) - A escassez de microprocessadores de memória limitará vendas de celulares por algum tempo, prejudicando empresas como Qualcomm QCOM.O e Arm Holdings ARM.O, afirmaram executivos e analistas na noite de quarta-feira, quando ambas as empresas divulgaram resultados que decepcionaram investidores.
As ações da Qualcomm caíam mais de 8% por volta das 12h (horário de Brasília), enquanto os papeis da Arm recuavam 0,4%, depois de chegarem a cair 3% mais cedo nesta quinta-feira.
Entre as maiores projetistas de chips para smartphones do mundo, a Qualcomm está lidando com pedidos relativamente modestos, já que os clientes não conseguem garantir alocações de processadores de memória para montarem produtos completos, resultando na previsão da empresa de ter receita de primeiro trimestre abaixo das estimativas do mercado.
“A escassez de memória em todo o setor e os aumentos de preços provavelmente definirão a escala geral da indústria de celulares ao longo do ano fiscal”, disse o presidente-executivo da Qualcomm, o brasileiro Cristiano Amon, durante teleconferência com analistas. “Infelizmente, acho que todo o setor está sendo afetado.”
A Arm projeta a arquitetura que forma a base de grande parte dos chips para smartphones no mundo hoje — incluindo os da Qualcomm. A situação atual do mercado deixa a companhia com perspectiva de receita de royalties reduzida, à medida que as vendas de microprocessadores para dispositivos móveis patinam.
As receitas de royalties da Arm no ano podem ser prejudicadas em até 2% devido ao impacto da escassez de chips de memória para celulares, disse o diretor financeiro, Jason Child, a analistas.
Os executivos da Qualcomm afirmaram que a escassez de chips de memória pode durar até o final do ano fiscal atual, potencialmente prolongando as pressões de abastecimento até 2027.
Em dezembro, analistas da Morningstar disseram que esperavam que a escassez de microprocessadores de memória persistisse até 2027. Analistas do JPMorgan também esperam que o problema se estenda até 2027.
As vendas globais de chips avançados para smartphones devem cair 7% em 2026, em parte devido ao aumento dos preços da memória, de acordo com dados da Counterpoint Research.
Analistas do JPMorgan afirmaram nesta quinta-feira que esperam uma queda percentual de dois dígitos nas vendas globais de smartphones, já que o aumento dos custos de memória reduz a demanda no segmento de dispositivos de médio a baixo custos.
O mercado espera que o aumento dos preços dos chips de memória também prejudique amplamente as perspectivas para demais produtos eletrônicos de consumo.
“Os resultados refletem em grande parte as tendências mais amplas do setor, e não questões específicas da Qualcomm. A empresa está lidando com as mesmas restrições de memória que afetam partes da cadeia de suprimentos de smartphones”, disse o analista da eToro, Zavier Wong.
Qualcomm e Arm têm trabalhado para reduzir sua dependência do mercado de chips para telefones celulares, aventurando-se no mercado de data centers, que apresenta alto crescimento e margens elevadas.
Amon, da Qualcomm, disse à Reuters na quarta-feira que não espera que a escassez global de chips de memória afete o lançamento de processadores de IA para data centers pela sua empresa. A Qualcomm espera lançar esses chips no segundo semestre deste ano, com receitas significativas a partir do ano fiscal de 2027.
((Tradução Redação São Paulo, 55 11 56447753))
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