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EXCLUSIVO-BYD aposta em peças locais em sua fábrica no Brasil em busca da liderança de mercado

Reuters5 de fev de 2026 às 05:00
  • Montadora chinesa pretende utilizar 50% de peças locais até o final de 2026.
  • Nova fábrica na Bahia utiliza terreno deixado pela Ford.
  • A BYD almeja ser a montadora número um do Brasil em volume de vendas.

Por Luciana Magalhaes

- A montadora chinesa BYD 002594.SZ pretende produzir e obter 50% dos componentes de seus veículos localmente em sua nova fábrica no Brasil até o final de 2026, disse à Reuters o principal executivo da empresa no país, em meio a preocupações de que a gigante dos veículos elétricos esteja prejudicando a indústria local.

O vice-presidente sênior Alexandre Baldy afirmou em entrevista esta semana na fábrica da BYD, no estado da Bahia, que a empresa está em processo de transição para uma cadeia de suprimentos local o mais rápido possível, com o objetivo de se tornar a maior montadora de automóveis do Brasil em volume de vendas até 2030.

A meta da BYD de atingir 50% de componentes locais em seus carros fabricados no Brasil é 1º de janeiro de 2027, afirmou ele. Isso inclui tanto a produção interna quanto componentes de fornecedores locais, como pneus.

"Chegamos aqui em uma velocidade muito rápida — o ritmo que precisamos manter para alcançar esse objetivo", disse Baldy, na fábrica de Camaçari, que produz veículos elétricos e híbridos para o Brasil, o maior mercado da BYD fora da China.

Desde outubro, a BYD produziu cerca de 25.000 carros no complexo industrial que ocupa uma área de mais de 4 milhões de metros quadrados, deixada pela Ford F.N quando esta encerrou suas atividades de produção no Brasil (link).

Camaçari, um polo industrial nos arredores da capital do estado, Salvador, renomeou uma avenida próxima de Henry Ford para BYD.

DAS IMPORTAÇÕES ÀS EXPORTAÇÕES

O aumento do conteúdo local atenderá aos requisitos regulatórios e permitirá que a montadora, que inundou o mercado regional com veículos elétricos chineses nos últimos anos, comece a exportar de sua fábrica brasileira para os países vizinhos do Mercosul já neste ano, disse Baldy.

Enquanto grupos locais da indústria e dos trabalhadores reclamam que a BYD tem dependido muito de importações (link) e de tarifas temporariamente baixas, Baldy afirmou que a montadora está avançando rapidamente com linhas de produção locais que, eventualmente, gerarão 20.000 empregos no Brasil.

A fábrica de Camaçari agora monta carros a partir de unidades importadas "semi-desmontadas" (SKD), beneficiando-se de uma isenção de imposto de importação que acaba de expirar.

A BYD solicitará uma cota adicional, estendendo a isenção até meados deste ano, disse Baldy. Mas ele insistiu que a abordagem SKD é "um regime de transição", acrescentando: "os carros devem ser produzidos com componentes locais para serem economicamente e financeiramente viáveis".

As instalações locais de estampagem, soldagem e pintura da BYD estão quase concluídas, disse Baldy. Essa expansão em andamento faz parte da primeira fase de investimentos da BYD no Brasil, totalizando 5,5 bilhões de reais (US$ 1,1 bilhão), que tem como objetivo aumentar a capacidade da fábrica para 300.000 veículos por ano - partindo de uma estimativa de 150.000 até o final de 2026.

PROCESSO TRABALHISTA RESOLVIDO

O complexo Camaçari já emprega cerca de 5.000 pessoas, incluindo aproximadamente 2.300 funcionários da BYD e 2.500 trabalhadores de empresas de construção e prestadores de serviços.

Adson Santana, gerente de montagem da BYD na fábrica, disse que se emocionou no dia em que retornou ao local onde havia trabalhado anteriormente para a Ford, antes de a montadora norte-americana fechar em 2021 e demitir milhares de trabalhadores.

A chegada da BYD à Bahia foi marcada no ano passado por uma investigação trabalhista (link) visando a construção de sua fábrica. No final do ano passado, os promotores disseram que a BYD e suas empreiteiras chegaram a um acordo no caso, concordando em pagar 40 milhões de reais em indenização.

Baldy afirmou que o acordo de conformidade foi assinado apenas pelos contratados e não pela BYD.

(US$ 1 = 5,25 reais)

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