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Nova York vai monitorar esforços de deportação de Trump com observadores jurídicos

Reuters3 de fev de 2026 às 23:55

Por Jonathan Allen

- Nova York está criando uma equipe de observadores jurídicos que usarão coletes roxos para monitorar e registrar os agentes de imigração do governo Trump enquanto eles atuam para deter e deportar migrantes, disse a procuradora-geral do estado nesta terça-feira.

O anúncio ocorre na esteira de semanas de tumultos, por vezes violentos, em Minneapolis, para onde o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, enviou milhares de agentes armados e mascarados, na tentativa de deportar mais migrantes do que qualquer um dos seus antecessores.

A procuradora-geral de Nova York, Letitia James, explicou que os novos observadores jurídicos do Estado serão funcionários voluntários de seu gabinete, treinados para conferir, sem interferir, se a aplicação da lei de imigração de Trump “permanece dentro dos limites da lei”.

“Tenho orgulho de proteger os direitos constitucionais dos nova-iorquinos de se expressarem livremente, protestarem pacificamente e viverem suas vidas sem medo de ações federais ilegais”, disse James, democrata, em comunicado.

“Vimos em Minnesota como as operações federais podem se intensificar de forma rápida e trágica na ausência de transparência e responsabilidade.”

O Departamento de Segurança Interna dos Estados Unidos (DHS, na sigla em inglês), que supervisiona o Serviço de Imigração e Alfândega (ICE, em inglês), afirmou que James estava colocando os nova-iorquinos em perigo ao não trabalhar com o ICE.

“A polícia da ICE não precisaria estar em campo em Nova York se tivéssemos cooperação estadual e local”, disse Tricia McLaughlin, porta-voz do DHS, em comunicado.

DEPORTAÇÕES E CRIMINALIDADE

Trump, um republicano, reservou suas medidas mais agressivas de fiscalização da imigração para Estados governados por seus oponentes políticos, particularmente Califórnia, Illinois e Minnesota. Nova York abriga um dos maiores e mais movimentados escritórios regionais do DHS, mas Trump não anunciou nenhuma medida significativa de fiscalização no Estado.

Para ele, as deportações de muitos migrantes, incluindo alguns que foram admitidos legalmente nos EUA, são necessárias para reduzir a criminalidade, embora o argumento seja frequentemente contradito pelos dados sobre criminalidade.

Em Minneapolis, os residentes saíram em protesto, muitos soprando apitos e gravando vídeos enquanto agentes de imigração em trajes militares percorriam as ruas. Duas vezes em janeiro, agentes de imigração mataram a tiros cidadãos norte-americanos que haviam saído para protestar ou observar: Renee Good e Alex Pretti.

Os líderes de Minnesota acusaram o governo Trump de ir longe demais e violar os direitos constitucionais dos migrantes e dos cidadãos norte-americanos, incluindo seus direitos de observar e protestar contra as ações governamentais.

Em Nova York, pequenos grupos de observadores jurídicos são comuns em protestos de rua, às vezes usando os chapéus verdes brilhantes da National Lawyers Guild, focados em verificar se a polícia local está violando direitos ou leis que protegem a liberdade de expressão.

Mas um esforço formal organizado pelo Estado para monitorar a aplicação da lei federal parece ser algo novo. James, uma adversária declarada de Trump que processou com sucesso ele e sua imobiliária por fraude financeira, diz que usará as informações coletadas pelos observadores para decidir se entrará com ações judiciais.

(Reportagem de Jonathan Allen em Nova York; Reportagem adicional de Ted Hesson)

((Tradução Redação Brasília))

REUTERS MCM

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