
Por Haseeb Alwazeer e Nidal al-Mughrabi
GAZA/CAIRO, 2 Fev (Reuters) - Israel reabriu a fronteira entre Gaza e Egito nesta segunda-feira para um número limitado de pessoas a pé, permitindo que um pequeno número de palestinos deixe o enclave e que alguns dos que escaparam da guerra retornem pela primeira vez.
A passagem, em território controlado por Israel, no que antes era uma cidade de 250 mil habitantes que Israel demoliu completamente e despovoou, é a única rota de entrada e saída para quase todos os mais de 2 milhões de residentes de Gaza.
Ela ficou fechada durante a maior parte da guerra, e reabri-la para dar acesso ao mundo exterior a um pequeno número de moradores de Gaza é uma das últimas medidas importantes exigidas na fase inicial do cessar-fogo mediado pelos EUA, alcançado em outubro.
Uma fonte palestina disse que, no primeiro dia, 50 palestinos devem entrar em Gaza, onde serão submetidos a rigorosas verificações de segurança israelenses, e um número semelhante teria permissão para sair.
Aqueles autorizados a entrar estariam entre os mais de 100.000 palestinos que conseguiram escapar de Gaza nos primeiros meses da guerra.
Israel tomou o posto fronteiriço em maio de 2024, cerca de nove meses após o início da guerra em Gaza, que foi interrompida de forma precária pelo cessar-fogo de outubro mediado pelo presidente dos EUA, Donald Trump.
A reabertura da passagem era uma das exigências da primeira fase do plano mais amplo de Trump para acabar com os combates entre Israel e militantes do Hamas. Em janeiro, Trump declarou o início da segunda fase, com o objetivo de fazer com que as partes negociem a futura governança e reconstrução de Gaza.
Mesmo com a reabertura da passagem, ataques israelenses mataram pelo menos quatro palestinos na segunda-feira, incluindo um menino de três anos, em incidentes separados no norte e no sul da Faixa. As Forças Armadas israelenses não fizeram comentários imediatos sobre os incidentes.
JORNALISTAS ESTRANGEIROS PROIBIDOS DE ENTRAR EM GAZA
Apesar da reabertura de Rafah, Israel ainda se recusa a permitir a entrada de jornalistas estrangeiros, que estão proibidos de entrar em Gaza desde o início da guerra. As reportagens de dentro de Gaza para a mídia internacional, incluindo a Reuters, são feitas exclusivamente por jornalistas que moram lá, centenas dos quais foram mortos.
A Suprema Corte de Israel está analisando uma petição da Associação de Imprensa Estrangeira (FPA) que pede que jornalistas estrangeiros sejam autorizados a entrar em Gaza. Advogados do governo argumentam que isso poderia representar riscos para os soldados israelenses. A FPA alega que a população está sendo privada de uma fonte vital de informação independente.
Na primeira fase do cessar-fogo, os combates de grande envergadura foram suspensos, os reféns detidos em Gaza foram libertados em troca de milhares de prisioneiros palestinos detidos por Israel e foi prometido um aumento da ajuda humanitária.
As forças israelenses ainda controlam mais de 53% do território de Gaza, onde ordenaram a saída dos residentes e demoliram muitos dos edifícios restantes. Os moradores do enclave estão agora confinados a uma faixa ao longo da costa, onde a maioria vive em barracas improvisadas ou edifícios danificados.
((Tradução Redação São Paulo))
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