
Por Maayan Lubell e Nidal al-Mughrabi
1 Fev (Reuters) - O principal posto de fronteira de Gaza, em Rafah, será reaberto para os palestinos na segunda-feira, informou Israel, em meio aos preparativos no principal portão de entrada do enclave devastado pela guerra, que permaneceu praticamente fechado por quase dois anos.
Antes da guerra, a passagem de fronteira de Rafah com o Egito era o único ponto de saída direto para a maioria dos habitantes de Gaza chegar ao mundo exterior, além de ser um local de entrada crucial para ajuda humanitária no território. A passagem está praticamente fechada desde maio de 2024 e sob controle militar israelense no lado de Gaza.
O Cogat, unidade militar israelense responsável pela coordenação humanitária, afirmou que a passagem será reaberta nos dois sentidos apenas para moradores de Gaza a pé. A operação será coordenada com o Egito e a União Europeia.
"Hoje, está em curso um projeto-piloto para testar e avaliar o funcionamento da passagem. A circulação de residentes em ambos os sentidos, entrada e saída de Gaza, deverá começar amanhã", afirmou o Cogat em comunicado.
Um funcionário palestino e uma fonte europeia próxima à missão da União Europeia confirmaram os detalhes. O Ministério das Relações Exteriores egípcio não respondeu imediatamente a um pedido de comentário.
SEGURANÇA RIGOROSA
Israel afirmou que a passagem seria aberta sob rigorosos controles de segurança apenas para palestinos que desejam deixar o enclave devastado pela guerra e para aqueles que fugiram dos combates nos primeiros meses do conflito e desejam retornar.
Muitos dos que devem deixar Gaza são habitantes doentes e feridos que precisam de tratamento médico no exterior. O Ministério da Saúde palestino afirmou que há 20.000 pacientes aguardando para sair de Gaza.
Um oficial da defesa israelense afirmou que a passagem pode comportar entre 150 e 200 pessoas no total, em ambos os sentidos. O número de pessoas que saem será maior do que o de pessoas que retornam, pois os pacientes saem acompanhados de seus familiares, acrescentou o oficial.
"(A passagem de Rafah) é a nossa tábua de salvação, nós, os pacientes. Não temos recursos para sermos tratados em Gaza", disse Moustafa Abdel Hadi, um paciente renal internado em um hospital no centro de Gaza, que aguarda um transplante no exterior.
"Se a guerra afetou uma pessoa saudável em 1%, em nós o impacto foi de 200%", disse ele, sentado enquanto recebia tratamento de diálise no Hospital dos Mártires de Al-Aqsa. Seu pedido de viagem, segundo ele, foi aprovado.
Dois funcionários egípcios disseram que pelo menos 50 pacientes palestinos serão encaminhados neste domingo para atravessar Rafah rumo ao Egito para tratamento. Nos primeiros dias, cerca de 200 pessoas, entre pacientes e familiares, cruzarão diariamente para o Egito, disseram os funcionários, com 50 pessoas retornando a Gaza por dia.
As listas de habitantes de Gaza que devem atravessar a fronteira foram enviadas pelo Egito e aprovadas por Israel, disse o funcionário.
PRÓXIMA FASE DO PLANO DE TRUMP PARA GAZA
A reabertura da passagem de fronteira era um requisito fundamental da primeira fase do plano do presidente dos EUA, Donald Trump, para pôr fim à guerra entre Israel e Hamas.
Mas o cessar-fogo, que entrou em vigor em outubro após dois anos de combates, foi repetidamente abalado por ondas de violência.
Segundo autoridades de saúde locais, os ataques israelenses em Gaza mataram mais de 500 palestinos desde o cessar-fogo, e militantes palestinos mataram quatro soldados de Israel, de acordo com as autoridades israelenses.
No sábado, Israel lançou um de seus ataques aéreos mais intensos desde o cessar-fogo, matando pelo menos 30 pessoas, em uma ação que, segundo o governo israelense, foi uma resposta à violação da trégua pelo Hamas na sexta-feira, quando militantes saíram de um túnel em Rafah.
As próximas fases do plano de Trump para Gaza preveem a transferência da governança para tecnocratas palestinos, que o Hamas deponha suas armas e que as tropas israelenses se retirem do território, enquanto uma força internacional mantém a paz e Gaza é reconstruída.
Até o momento, o Hamas rejeitou o desarmamento e Israel indicou repetidamente que, se o grupo militante islâmico não for desarmado pacificamente, usará a força para obrigá-lo a fazer isso.
(Reportagem adicional de Mahmoud Issa em Gaza e Ahmed Shalaby e Alexander Dziadosz no Cairo; texto de Maayan Lubell)
((Tradução Redação São Paulo))
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