
DUBAI, 1 Fev (Reuters) - O presidente do parlamento iraniano afirmou neste domingo que o Irã considera como "grupos terroristas" os exércitos dos países da União Europeia que incluíram a Guarda Revolucionária Islâmica na lista de organizações terroristas do bloco.
Na quinta-feira, a União Europeia marcou uma mudança simbólica em sua abordagem em relação à liderança do Irã, ao designar a Guarda Revolucionária como uma organização terrorista, após o que se revelou a repressão mais sangrenta aos protestos da República Islâmica desde a sua fundação, em 1979.
"Ao tentar atingir a Guarda Revolucionária... os europeus, na verdade, deram um tiro no próprio pé e, mais uma vez, tomaram uma decisão contrária aos interesses de seu povo, obedecendo cegamente aos americanos", disse o presidente do parlamento, Mohammad Baqer Qalibaf, aos seus colegas parlamentares, que vestiam uniformes da Guarda Revolucionária em apoio à força de elite.
"De acordo com o Artigo 7 da lei sobre contramedidas contra a designação da Guarda Revolucionária como organização terrorista, os exércitos dos países europeus são considerados grupos terroristas."
Qalibaf afirmou que a comissão parlamentar de segurança nacional deliberaria sobre a expulsão dos adidos militares dos países da UE e daria seguimento ao assunto junto ao Ministério das Relações Exteriores.
Após o discurso do presidente da Câmara, os parlamentares gritaram "Morte à América! Vergonha para a Europa!".
A Guarda Revolucionária emitiu um comunicado no domingo afirmando que a decisão da UE complicou "o caminho para uma interação e cooperação construtivas", ao mesmo tempo que fortaleceu "abordagens de confronto".
Criada após a Revolução Islâmica de 1979 no Irã para proteger o sistema governante clerical xiita, a Guarda Revolucionária exerce grande influência no país, controlando amplos setores da economia e das forças armadas.
A medida da UE surge em um momento em que os Estados Unidos reforçam a sua presença naval no Oriente Médio, depois que o presidente Donald Trump ameaçou o Irã caso o país não concordasse com um acordo nuclear ou não parasse de matar manifestantes.
O líder supremo do Irã, o aiatolá Ali Khamenei, disse neste domingo que, se os EUA atacarem o Irã, isso se transformará em um conflito regional, informou a mídia estatal.
(Reportagem da redação de Dubai)
((Tradução Redação São Paulo))
REUTERS FDC