
Por Andrea Shalal e Timour Azhari e Humeyra Pamuk
WASHINGTON/RIAD, 1 Fev (Reuters) - Mark Savaya, nomeado pelo presidente dos EUA, Donald Trump, como enviado especial para o Iraque em outubro, não ocupa mais esse cargo, disseram fontes familiarizadas com a mudança.
A medida surge em meio a crescentes tensões entre Washington e Bagdá devido à pressão de Washington para conter a influência iraniana na política iraquiana.
Savaya, um empresário cristão iraquiano-americano, estava entre os poucos árabes-americanos nomeados para cargos de alto escalão por Trump, que fez uma campanha intensa durante a eleição presidencial de 2024 para conquistar o voto árabe e muçulmano em Detroit e em todo o país.
Não ficou imediatamente claro o que motivou a saída de Savaya ou se um substituto seria nomeado.
Uma das fontes apontou para a "má gestão" de situações-chave por parte de Savaya, incluindo sua falha em impedir a nomeação do ex-primeiro-ministro iraquiano Nouri al-Maliki (link) para ser o próximo primeiro-ministro do país, uma mudança contra a qual Trump alertou abertamente Bagdá.
O embaixador dos EUA na Turquia e enviado especial para a Síria, Tom Barrack, que viajou a Erbil no início desta semana para se encontrar com as Forças Democráticas Sírias lideradas pelos curdos, deverá assumir a pasta do Iraque no Departamento de Estado, de acordo com a fonte e um alto funcionário iraquiano.
Um porta-voz de Barrack recusou-se a comentar.
O Departamento de Estado encaminhou as perguntas à Casa Branca, que se recusou a comentar sobre a situação de Savaya ou sobre qualquer substituto.
Contactado pela Reuters na quinta-feira, Savaya negou qualquer mudança em sua função, afirmando que ainda estava trabalhando nos procedimentos administrativos necessários para assumir oficialmente o cargo. Mas uma fonte familiarizada com o assunto disse que Savaya nunca se tornou funcionário do Departamento de Estado.
A conta X de Savaya, que estava ativa até recentemente, está indisponível desde quinta-feira.
Ele não respondeu às mensagens de acompanhamento enviadas na sexta-feira e no sábado, pedindo-lhe que esclarecesse se ainda exercia o cargo para o qual foi designado e que explicasse o motivo da desativação de sua conta X.
Savaya, que administrava um negócio de cannabis em Detroit e tem laços estreitos com Trump, foi uma escolha surpreendente para enviado, pois não possui experiência diplomática. Ele não viajou oficialmente ao Iraque desde que foi nomeado para o cargo, disseram duas das fontes.
Ele tinha agendado uma visita ao Iraque e reuniões com altos funcionários na última sexta-feira, mas cancelou tudo abruptamente, disseram dois funcionários iraquianos.
A mudança de pessoal ocorre dias depois de Trump ter alertado o Iraque de que, se escolhesse Maliki novamente como primeiro-ministro, Washington deixaria de ajudar o grande produtor de petróleo e aliado próximo dos EUA. Maliki, acusado pelos EUA de fomentar conflitos sectários e permitir a ascensão do Estado Islâmico durante seu mandato, havia sido escolhido para o cargo pelo maior bloco parlamentar do Iraque dias antes.
Os comentários de Trump foram o exemplo mais flagrante até agora de sua campanha para conter a influência de grupos ligados ao Irã no Iraque, país que há muito tempo caminha na corda bamba entre seus dois aliados mais próximos, Washington e Teerã.