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Departamento de Justiça de Trump divulga grande lote de arquivos sobre Jeffrey Epstein

Reuters30 de jan de 2026 às 20:46

Por Andrew Goudsward e Brad Heath

- O Departamento de Justiça dos EUA publicou nesta sexta-feira um novo e definitivo conjunto de milhões de documentos relacionados ao falecido criminoso sexual Jeffrey Epstein, de acordo com uma lei aprovada em novembro que exigia a divulgação de todos os registros relacionados a Epstein.

Todd Blanche, vice-procurador-geral, disse em uma coletiva de imprensa que o enorme lote de arquivos divulgado nesta sexta-feira marcou o fim das divulgações planejadas pelo governo Trump nos termos da lei. O novo conjunto inclui mais de 3 milhões de páginas, 2 mil vídeos e 180 mil imagens, disse ele.

Os arquivos incluem “extensas” edições, disse ele, dadas as exceções da lei que permitem que certos documentos sejam ocultados, incluindo informações de identificação das vítimas ou materiais relacionados a investigações em andamento. As divulgações anteriores foram fortemente editadas, atraindo críticas de alguns membros do Congresso.

A Reuters está analisando os arquivos.

Trump, que era amigo de Epstein na década de 1990 e no início dos anos 2000, antes de se desentenderem anos antes da primeira condenação de Epstein, passou meses resistindo a qualquer divulgação até que democratas e republicanos no Congresso o forçaram a ceder, aprovando a lei apesar de suas objeções.

Trump não foi formalmente acusado de qualquer irregularidade relacionada a Epstein e nega que tivesse conhecimento dos crimes de Epstein. Mas o escândalo o perseguiu por meses, em parte porque ele prometeu divulgar os arquivos durante sua campanha presidencial de 2024.

Não ficou imediatamente claro quantos dos arquivos recém-divulgados incluíam menções a Trump. A primeira grande divulgação do Departamento de Justiça em dezembro continha relativamente poucas referências ao presidente.

Em um comunicado à imprensa anunciando a divulgação dos documentos, o Departamento de Justiça escreveu: “Alguns dos documentos contêm alegações falsas e sensacionalistas contra o presidente Trump que foram apresentadas ao FBI pouco antes das eleições de 2020. Para ser claro, as alegações são infundadas e falsas e, se tivessem um pingo de credibilidade, certamente já teriam sido usadas como arma contra o presidente Trump”.

Blanche disse que o departamento também reteve alguns arquivos com base em privilégios legais, incluindo produtos de trabalho e privilégios advogado-cliente. Alguns parlamentares afirmaram que essas retenções parecem contrariar a lei, que exigia que o departamento divulgasse comunicações internas relacionadas às decisões sobre a acusação ou investigação de Epstein ou de quaisquer associados.

O Departamento de Justiça fornecerá ao Congresso um relatório que inclui um resumo de todas as edições e documentos retidos, conforme exigido por lei, disse Blanche em uma carta enviada ao Congresso nesta sexta-feira.

Questionado se acreditava que todos os arquivos haviam sido divulgados em conformidade com a lei, o líder democrata no Senado, Chuck Schumer, disse: “Acreditamos que não”.

Epstein, um financista de Nova York com ligações com figuras políticas e empresariais de destaque, foi encontrado enforcado em sua cela em 2019, enquanto aguardava julgamento por acusações de tráfico sexual. Embora sua morte tenha sido considerada suicídio, ela gerou anos de teorias da conspiração, algumas das quais o próprio Trump divulgou para seus apoiadores durante sua campanha presidencial de 2024.

Blanche expressou frustração com as acusações de que o Departamento de Justiça se recusou a processar os associados de Epstein que podem ter participado de atividades ilegais.

“Existe essa suposição inerente de que, de alguma forma, há uma parcela oculta de informações sobre homens que conhecemos, que estamos encobrindo ou que estamos optando por não processar. Esse não é o caso”, disse ele.

O escândalo Epstein se tornou um problema político persistente para Trump, que já enfrenta uma queda nos índices de aprovação em uma série de questões, incluindo sua gestão da economia e sua repressão à imigração.

Blanche defendeu a lentidão das divulgações, dizendo que os volumosos arquivos exigiram que centenas de advogados trabalhassem dia e noite durante semanas para revisá-los e prepará-los para divulgação pública. A lei havia estabelecido o prazo de 19 de dezembro de 2025, mas as autoridades disseram que precisavam de mais tempo para revisar os arquivos.

(Reportagem de Andrew Goudsward e Brad Heath; Reportagem adicional de Julia Harte, Jason Lange, Richard Cowan, Susan Heavey, Ryan Jones e Katharine Jackson)

((Tradução Redação São Paulo))

REUTERS AC

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