
BRUXELAS, 29 Jan (Reuters) - Os ministros das Relações Exteriores da União Europeia concordaram nesta quinta-feira em incluir a Guarda Revolucionária Islâmica na lista de organizações terroristas do bloco, colocando a poderosa Guarda em uma categoria semelhante à do Estado Islâmico e da Al Qaeda e marcando uma mudança simbólica na abordagem da Europa em relação à liderança do Irã.
“A repressão não pode ficar sem resposta”, escreveu a chefe da política externa da União Europeia, Kaja Kallas, na plataforma de mídia social X. “Qualquer regime que mata milhares de seu próprio povo está trabalhando para sua própria ruína.”
Criada após a Revolução Islâmica do Irã em 1979 para proteger o sistema clerical xiita, a Guarda Revolucionária tem grande influência no país, controlando grande parte da economia e das Forças Armadas. A Guarda também ficou encarregada dos programas de mísseis balísticos e nucleares do Irã.
Embora alguns Estados-membros da UE tenham anteriormente pressionado para que a Guarda Revolucionária fosse adicionada à lista de terroristas da UE, outros vinham sendo mais cautelosos, temendo que isso pudesse prejudicar a comunicação com o governo iraniano e colocar em risco os cidadãos europeus no país.
Mas uma repressão brutal a um movimento de protesto nacional no início deste mês, que matou milhares de pessoas, aumentou o impulso para a medida.
“É importante enviarmos este sinal de que o derramamento de sangue que vimos, a brutalidade da violência que foi usada contra os manifestantes, não pode ser tolerado”, disse o ministro das Relações Exteriores holandês, David van Weel, na manhã desta quinta-feira.
A França e a Itália, que anteriormente estavam relutantes em incluir a Guarda na lista, deram seu apoio esta semana.
UE ESPERA QUE DIÁLOGO COM IRÃ CONTINUE
Apesar das preocupações de alguns países europeus de que a decisão de classificar a Guarda Revolucionária como organização terrorista possa levar a um rompimento total das relações com o Irã, Kallas disse aos repórteres na manhã desta quinta-feira que “a estimativa é que os canais diplomáticos permanecerão abertos”.
O ministro das Relações Exteriores da Itália, Antonio Tajani, disse que o acordo “não significa que não devemos continuar a dialogar”.
O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araqchi, criticou a decisão dos ministros da UE.
A Europa está “cometendo outro grande erro estratégico”, escreveu o ministro iraniano no X, acrescentando que “a postura atual da UE é profundamente prejudicial aos seus próprios interesses”.
A União Europeia também adotou sanções nesta quinta-feira contra 15 indivíduos e seis entidades “responsáveis por graves violações dos direitos humanos no Irã”, afirmou o Conselho da União Europeia.
O ministro do Interior iraniano, Eskandar Momeni, o procurador-geral Mohammad Movahedi Azad, vários comandantes da Guarda Revolucionária e alguns altos funcionários da polícia estão entre os sancionados, segundo um comunicado.
(Reportagem de Lili Bayer, John Irish, Yomna Ehab e Sara Rossi)
((Tradução Redação São Paulo)) REUTERS AC