
Por Deepa Seetharaman e David Jeans e Jeffrey Dastin
WASHINGTON/SÃO FRANCISCO, 29 Jan (Reuters) - O Pentágono e a empresa de desenvolvimento de inteligência artificial Anthropic estão em desacordo sobre a possível eliminação de salvaguardas que poderiam permitir ao governo usar sua tecnologia para atingir alvos de armas de forma autônoma e realizar vigilância doméstica nos EUA, disseram à Reuters três pessoas familiarizadas com o assunto.
As discussões representam um teste inicial para verificar se o Vale do Silício – que goza das boas relações com Washington após anos de tensões – pode influenciar a forma como as forças armadas e os serviços de inteligência dos EUA utilizam inteligência artificial cada vez mais poderosa no campo de batalha.
Após semanas de negociações contratuais, o Departamento de Defesa dos EUA e a Anthropic chegaram a um impasse, disseram seis pessoas familiarizadas com o assunto, sob condição de anonimato. A posição da empresa sobre como suas ferramentas de IA podem ser usadas intensificou os desentendimentos entre ela e o governo Trump, cujos detalhes não haviam sido divulgados anteriormente.
Em conformidade com um memorando do Departamento de Defesa de 9 de Janeiro sobre sua estratégia de IA, funcionários do Pentágono argumentaram que deveriam poder implantar tecnologia comercial de IA independentemente das políticas de uso das empresas, desde que cumpram a legislação dos EUA, disseram as pessoas.
Um porta-voz do departamento, que a administração Trump renomeou o Departamento de Guerra, não respondeu imediatamente aos pedidos de comentários.
Em comunicado, a Anthropic afirmou que sua IA é "amplamente utilizada em missões de segurança nacional pelo governo dos EUA e estamos em discussões produtivas com o Departamento de Guerra sobre maneiras de dar continuidade a esse trabalho".