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Chefe da ONU diz que problemas globais não serão resolvidos por uma única potência "dando as cartas"

Reuters29 de jan de 2026 às 21:11

Por Michelle Nichols

- Os problemas globais não serão resolvidos por uma única potência "dando as cartas" ou dividindo o mundo em esferas rivais, afirmou o secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, nesta quinta-feira, em comentários dirigidos aos Estados Unidos e à China.

Guterres falou com jornalistas para marcar o início de seu décimo e último ano no cargo. O Conselho de Segurança da ONU deve escolher seu sucessor ainda este ano.

"Os problemas globais não serão resolvidos por uma potência que dá as cartas", disse Guterres, acrescentando mais tarde que se referia aos Estados Unidos.

"Nem serão resolvidos por duas potências que dividem o mundo em esferas de influência rivais."

Solicitado a esclarecer, ele disse: "Nós vemos, e muitos veem, em relação ao futuro, a ideia de que existem dois polos, um centrado nos EUA e outro centrado na China... Se queremos um mundo estável, se queremos um mundo em que a paz possa ser sustentada, em que o desenvolvimento possa ser generalizado e em que, no final, nossos valores prevaleçam, precisamos apoiar a multipolaridade."

As missões dos EUA e da China nas Nações Unidas não responderam imediatamente a pedidos de comentários.

O presidente dos EUA, Donald Trump, que iniciou seu segundo mandato há um ano, está ressuscitando o que grande parte da comunidade internacional há muito rejeitava como uma visão de mundo ultrapassada — esferas de influência conquistadas pelas grandes potências. Ele prometeu restaurar o domínio dos EUA no Hemisfério Ocidental.

RESPONSABILIDADE

As declarações de Guterres ocorrem uma semana após Trump lançar seu Conselho da Paz. Inicialmente, ele foi criado para consolidar o frágil cessar-fogo em Gaza, mas Trump prevê que ele assuma um papel mais amplo, abordagem que preocupa potências globais.

"Na minha opinião, a responsabilidade básica pela paz e segurança internacionais recai sobre a ONU, recai sobre o Conselho de Segurança", disse Guterres.

"É por isso que é tão importante reformar o Conselho de Segurança. E é muito interessante ver que alguns dos que criticam a ONU por não ser eficaz são os mesmos que se opõem à reforma do Conselho de Segurança. É por isso que, às vezes, a ONU não consegue ser tão eficaz quanto todos nós gostaríamos."

O segundo mandato de cinco anos de Guterres foi marcado pela invasão em grande escala da Ucrânia pela Rússia, o retorno do Taliban no Afeganistão, o conflito no Sudão, a guerra entre Israel e militantes palestinos do Hamas na Faixa de Gaza, o rápido fim da guerra civil na Síria e a captura do presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, pelos EUA.

"O direito internacional está sendo pisoteado. A cooperação está se deteriorando. E as instituições multilaterais estão sob ataque em muitas frentes", disse Guterres.

"A impunidade está impulsionando os conflitos atuais – alimentando a escalada, aumentando a desconfiança e abrindo as portas para que poderosos sabotadores entrem por todos os lados."

(Reportagem de Michelle Nichols)

((Tradução Redação Brasília))

REUTERS MCM

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