
Por Tim Hepher e Padraic Halpin
DUBLIN, 29 Jan (Reuters) - A Airbus AIR.PA está prestes a começar a oferecer às companhias aéreas e empresas de leasing uma versão maior de seu jato regional A220, com o objetivo de iniciar o desenvolvimento ainda este ano, disseram fontes do setor.
A campanha tem como objetivo angariar encomendas suficientes para justificar a produção da versão A220-500 com cerca de 180 lugares e marca o início de negociações formais antes de um possível anúncio de lançamento já no Farnborough Airshow, em julho.
Autoridades da Airbus disseram a financeiros à margem da conferência Airlines Economics em Dublin que 2026 seria um "grande ano" para o A220 e que mais detalhes seriam divulgados em breve, segundo as fontes informaram à Reuters.
Qualquer decisão de desenvolver o chamado projeto de "alongamento simples" estaria sujeita à aprovação do conselho da Airbus.
A Airbus reafirmou que está explorando todas as opções para o A220, ao mesmo tempo que aumenta a produção e presta suporte aos clientes.
"Muito trabalho está em andamento para acelerar nossa capacidade de tomar uma decisão sobre um trecho", acrescentou um porta-voz.
Em 2018, a Airbus comprou o programa A220, que enfrentava dificuldades financeiras, por um dólar, depois que a canadense Bombardier ficou sem dinheiro.
Uma versão maior do avião de passageiros com capacidade para 110 a 160 lugares já está nos planos há algum tempo.
Mas a Airbus tem enfrentado dificuldades devido à produção lenta, aos altos custos de fabricação, às dúvidas sobre a durabilidade dos motores, bem como à pressão das empresas de leasing por atrasos mais amplos nas entregas.
Em uma aparição surpresa (link) na conferência de Dublin, na segunda-feira, o novo presidente-executivo comercial da Airbus, Lars Wagner, deu amplo apoio ao conceito do A220-500, mas garantiu aos financeiros que estava focado em lidar com as pressões industriais em todos os setores.
Duas das fontes disseram que a Airbus informou aos financeiros que as negociações de vendas condicionais seriam iniciadas em algumas semanas e que o avião poderia ser lançado até o final do ano.
As fontes disseram que a decisão final do conselho dependeria da garantia de dois ou três clientes de renome.
Analistas afirmaram que possíveis alvos incluem companhias aéreas como a Delta Air Lines, a Air Canada e a Air France, que já operam o A220. Nenhuma das companhias aéreas se pronunciou imediatamente.
DILEMA DA ALCANCE
Uma versão ampliada do deficitário programa A220 permitiria à Airbus renegociar contratos com fornecedores e reduzir os custos de produção por aeronave, que têm mantido o empreendimento no vermelho.
A atualização visa aumentar os pedidos sem incorrer em grandes custos de desenvolvimento, adicionando mais assentos em uma configuração conhecida como "alongamento simples", sem modificações no motor ou nas asas.
Isso implicaria sacrificar parte da autonomia do A220-300 atual, mas permitiria às companhias aéreas reduzir os custos por assento.
Analistas dizem que isso também tiraria o A220 do mercado regional compartilhado com a brasileira Embraer, onde os preços tendem a ser mais baixos, com o risco de canibalizar as vendas do popular A320.
O A220 e o A320, mais antigo, porém amplamente utilizado, possuem características muito diferentes, e espera-se que a Boeing destaque os benefícios de manter uma única família de jatos compatíveis, como o 737 MAX.
Analistas dizem que o alongamento de aviões tem um histórico misto, variando de fracassos retumbantes a alguns dos modelos mais vendidos do setor. Em teoria, aviões maiores tendem a oferecer às companhias aéreas uma melhor relação custo-benefício.
Mas, normalmente, os projetos de maior sucesso envolveram investimentos que vão além do simples alongamento da fuselagem, afirmou o analista de aviação Rob Morris, observando que o Boeing 737-900, por exemplo, só começou a ser vendido em grande escala quando seu alcance foi ampliado.