
Por Patricia Zengerle e Simon Lewis e Humeyra Pamuk
WASHINGTON, 28 Jan (Reuters) - O secretário de Estado Marco Rubio disse ao Senado dos Estados Unidos nesta quarta-feira que os novos líderes da Venezuela estão se aproximando dos EUA e não há necessidade imediata de novas ações militares, em sua primeira exposição pública a perguntas dos parlamentares desde a invasão para prender o presidente Nicolás Maduro neste mês.
O presidente Donald Trump ordenou que seu governo trabalhe com Delcy Rodríguez, uma aliada de Maduro empossada como presidente interina após sua prisão, mas alertou anteriormente para novas ações militares caso o governo dela não cumpra as exigências norte-americanas.
Ex-senador pela Flórida e membro do Comitê de Relações Exteriores do Senado, Rubio disse a uma sala de audiência lotada do Senado que, embora Trump não descarte nenhuma opção, "não estamos preparados para, nem pretendemos ou esperamos, ter que tomar qualquer ação militar na Venezuela", sinalizando a satisfação do governo com Rodríguez.
"A única presença militar que você verá na Venezuela são nossos guardas navais em uma embaixada. Esse é o nosso objetivo. Essa é a nossa expectativa", declarou Rubio.
As conversas com os líderes da Venezuela foram "muito respeitosas e produtivas", disse Rubio, acrescentando esperar que os EUA possam retomar em breve a presença diplomática no país. A embaixada dos EUA em Caracas está fechada desde 2019, mas o Departamento de Estado enviou funcionários nas últimas semanas para iniciar os preparativos para sua reabertura.
"Pela primeira vez em 20 anos, estamos tendo conversas sérias sobre como erodir e eliminar a presença iraniana, a influência chinesa e a presença russa também. Na verdade, eu lhe digo que há muitos elementos na Venezuela que aceitam um retorno ao estabelecimento de relações com os Estados Unidos em várias frentes", disse.
A Reuters informou na terça-feira que relatórios de inteligência dos EUA questionaram se Rodríguez está totalmente de acordo com a estratégia dos EUA para seu país e se ela pretende cortar formalmente os laços com os adversários dos EUA.
Rubio deve se reunir no Departamento de Estado ainda nesta quarta-feira com a líder da oposição venezuelana María Corina Machado, em meio a especulações se Trump a colocaria como líder da Venezuela para substituir Maduro.
Rubio disse ao comitê que Maduro tinha que ser removido do poder porque a Venezuela havia se tornado uma base de operações para os adversários dos EUA, incluindo China, Rússia e Irã, e sua suposta cooperação com traficantes de drogas estaria afetando a região e os Estados Unidos.
"Era uma situação insustentável e precisava ser resolvida", disse Rubio.
Os EUA criaram um mecanismo para vender o petróleo venezuelano no curto prazo, mas o objetivo é facilitar a transição para "uma Venezuela amigável, estável e próspera" que, em última instância, escolha seus líderes por meio de eleições livres e justas, afirmou Rubio.
A Venezuela possui as maiores reservas de petróleo bruto do mundo. O governo Trump disse que pretende controlar o setor petrolífero e a receita do membro da Opep indefinidamente.
Nesta quarta-feira, um grupo de 12 parlamentares democratas alertou empresas petrolíferas para os riscos financeiros de investir na Venezuela, destacando que os termos oferecidos pelos governos dos EUA e da Venezuela poderiam ser revertidos.
(Reportagem de Patricia Zengerle, Simon Lewis e Humeyra Pamuk; reportagem adicional de Katharine Jackson e Valerie Volcovici)
((Tradução Redação Brasília))
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