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Cientistas ajustam "Relógio do Juízo Final" para mais perto da meia-noite do que nunca

Reuters27 de jan de 2026 às 16:57

Por Will Dunham

- Cientistas atômicos ajustaram o "Relógio do Juízo Final" para mais perto do que nunca da meia-noite, citando o comportamento agressivo das potências nucleares Estados Unidos, Rússia e China. Os pesquisadores também citaram o desgaste do controle sobre armas nucleares, guerras na Ucrânia e no Oriente Médio e preocupações com a inteligência artificial como fatores que aumentam os riscos de desastres globais.

O Bulletin of the Atomic Scientists ajustou o relógio para 85 segundos antes da meia-noite, o ponto teórico da aniquilação. Isso é quatro segundos mais próximo do que foi definido no ano passado. A organização sem fins lucrativos sediada em Chicago, EUA, criou o relógio em 1947, durante as tensões da Guerra Fria que se seguiram à Segunda Guerra Mundial, para alertar o público sobre a proximidade da destruição do mundo pela humanidade. A entidade foi criada em 1945 por cientistas como Albert Einstein e J. Robert Oppenheimer.

Os cientistas expressaram preocupação com as ameaças de integração não regulamentada da inteligência artificial em sistemas militares e seu possível uso indevido para ajudar na criação de ameaças biológicas, bem como com o papel da IA na disseminação da desinformação em nível global. Eles também observaram os desafios contínuos apresentados pelas mudanças climáticas.

"É claro que o Relógio do Juízo Final trata de riscos globais, e o que vimos foi uma falha global na liderança", disse à Reuters a especialista em política nuclear Alexandra Bell, presidente da entidade. "Não importa o governo, uma mudança em direção ao neoimperialismo e uma abordagem orwelliana de governança só servirá para empurrar o relógio para a meia-noite."

Foi a terceira vez nos últimos quatro anos que os cientistas aproximaram o relógio da meia-noite.

"Em termos de riscos nucleares, nada em 2025 apresentou tendência na direção certa", disse Bell. "Estruturas diplomáticas de longa data estão sob pressão ou em colapso, a ameaça de testes nucleares explosivos retornou, as preocupações com a proliferação estão crescendo e houve três operações militares ocorrendo sob a sombra de armas nucleares e a ameaça de escalada associada. O risco de uso nuclear é insustentável e inaceitavelmente alto."

Bell destacou a guerra contínua da Rússia na Ucrânia, o bombardeio dos EUA e de Israel contra o Irã e os confrontos na fronteira entre a Índia e o Paquistão. Bell também citou as contínuas tensões na Ásia, incluindo a Península Coreana e as ameaças da China a Taiwan, bem como as crescentes tensões no Hemisfério Ocidental desde que o presidente dos EUA, Donald Trump, voltou ao cargo há 12 meses.

O último pacto de armas nucleares remanescente entre EUA e Rússia, o tratado New START, expira em 5 de fevereiro. O presidente russo, Vladimir Putin, propôs em setembro que os dois países concordassem em observar por mais um ano os limites estabelecidos no pacto, que limita o número de ogivas nucleares implantadas de cada lado em 1.550. Trump não respondeu formalmente. Os analistas de segurança ocidentais estão divididos quanto à sensatez de aceitar a oferta de Putin.

Em outubro, Trump ordenou que as forças armadas dos EUA reiniciassem o processo de testes de armas nucleares após uma interrupção de mais de três décadas. Nenhuma potência nuclear, com exceção da Coreia do Norte, mais recentemente em 2017, realizou testes nucleares explosivos em mais de um quarto de século.

Nenhum país se beneficiaria mais de um retorno em grande escala a esses testes do que a China, dado seu esforço contínuo para expandir seu arsenal nuclear, de acordo com Bell, ex-integrante sênior do Bureau de Controle de Armas, Dissuasão e Estabilidade do Departamento de Estado dos EUA.

"AGRESSIVO E NACIONALISTA"

Trump alterou a ordem mundial. Ele enviou forças dos EUA para capturar o presidente venezuelano Nicolás Maduro, ameaçou outros países latino-americanos, prometeu restaurar o domínio dos EUA no Hemisfério Ocidental, falou repetidamente sobre anexar a Groenlândia e colocou em risco a cooperação de segurança transatlântica.

A Rússia lançou uma invasão em larga escala da Ucrânia em 2022 e não há fim à vista. Entre as armas que a Rússia usou está o míssil hipersônico Oreshnik, com capacidade nuclear. Em dezembro, a Rússia divulgou um vídeo do que disse ser a implantação do Oreshnik na Belarus, uma ação destinada a aumentar a capacidade russa de atingir alvos em toda a Europa.

"Rússia, China, Estados Unidos e outros países importantes estão se tornando cada vez mais agressivos e nacionalistas", disse Bell.

Sua "competição de grandes potências em que o vencedor leva tudo" prejudica a cooperação internacional necessária para reduzir os riscos de guerra nuclear, mudança climática, uso indevido da biotecnologia, riscos potenciais relacionados à IA e outros perigos apocalípticos, disse Bell.

Bell também citou as ações domésticas de Trump contra a ciência, a academia, o serviço público e as organizações de notícias.

Maria Ressa, ganhadora do Prêmio Nobel da Paz de 2021 por seus esforços jornalísticos ao expor abusos de poder nas Filipinas, incluindo como as plataformas de mídia social foram usadas para espalhar desinformação, participou do anúncio. Ressa lamentou o aumento da tecnologia que faz circular mentiras mais rapidamente do que fatos.

"Estamos vivendo um Armagedom de informações provocado pela tecnologia que governa nossas vidas, das mídias sociais à IA generativa. Nenhuma dessas tecnologias está ancorada em fatos. Chatbots não passam de uma máquina probabilística", disse Ressa em uma entrevista coletiva online.

((Tradução Redação São Paulo, 55 11 56447753))

REUTERS AAJ

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