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Veteranos da Otan dizem que Trump "cruzou linha vermelha" ao questionar serviço no Afeganistão

Reuters23 de jan de 2026 às 14:08

Por Sam Tabahriti

- Veteranos de toda a Europa reagiram à sugestão do presidente dos EUA, Donald Trump, de que teriam se mantido afastados da linha de frente no Afeganistão, afirmando na sexta-feira que centenas de colegas morreram lutando ao lado das forças norte-americanas.

Políticos de alto escalão também se juntaram às críticas, com o gabinete do primeiro-ministro britânico afirmando que Trump "errou ao minimizar o papel das tropas da Otan" durante duas décadas de guerra.

Na quinta-feira, Trump disse à Fox News que os Estados Unidos "nunca precisaram" da aliança transatlântica e acusou os aliados de se manterem "um pouco afastados da linha de frente" no Afeganistão.

"PAGAMOS COM SANGUE POR ESTA ALIANÇA"

"Esperamos um pedido de desculpas por esta declaração", disse Roman Polko, general polonês aposentado e ex-comandante das forças especiais que serviu no Afeganistão e no Iraque, em entrevista à Reuters.

Trump "cruzou uma linha vermelha", acrescentou. "Pagamos com sangue por esta aliança. Sacrificamos verdadeiramente nossas próprias vidas."

O ministro dos Veteranos do Reino Unido, Alistair Carns, cujo próprio serviço militar incluiu cinco missões, inclusive ao lado de tropas norte-americanas no Afeganistão, classificou as alegações de Trump como "completamente ridículas".

"Derramamos sangue, suor e lágrimas juntos. Nem todos voltaram para casa", disse ele em um vídeo publicado no X.

Richard Moore, ex-chefe do serviço de inteligência britânico MI6, afirmou que, assim como muitos oficiais do MI6, atuou em ambientes perigosos com colegas da CIA "corajosos e altamente estimados" e que se orgulhava de fazê-lo com o aliado mais próximo do Reino Unido.

De acordo com o tratado fundador da Otan, os membros são vinculados por uma cláusula de defesa coletiva, o Artigo 5, que considera um ataque a um membro como um ataque a todos.

Essa cláusula foi invocada apenas uma vez – após os ataques de 11 de setembro de 2001 em Nova York e Washington. Os aliados europeus responderam juntando-se à missão liderada pelos EUA no Afeganistão.

Alguns políticos observaram que Trump evitou o serviço militar obrigatório na Guerra do Vietnã, alegando esporões ósseos nos pés.

"Trump evitou o serviço militar cinco vezes", escreveu Ed Davey, líder do Partido Liberal Democrata britânico, no X. "Como ele ousa questionar o sacrifício deles?"

O sacrifício da Polônia "jamais será esquecido e não deve ser diminuído", afirmou o ministro da Defesa, Wladyslaw Kosiniak-Kamysz.

Os Estados Unidos perderam cerca de 2.460 soldados no Afeganistão, segundo o Departamento de Defesa norte-americano. Um total de 457 militares britânicos foram mortos, de um total de mais de 150.000 que estavam em missão.

Mais de 150 canadenses foram mortos, juntamente com 90 militares franceses, enquanto a Dinamarca -- que está sob forte pressão de Trump para vender sua região semiautônoma da Groenlândia aos EUA -- perdeu 44 soldados, uma das maiores taxas de mortalidade per capita da Otan.

((Tradução Redação São Paulo))

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