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Xi Jinping garante em telefonema a Lula apoio da China em tempos "turbulentos"

Reuters23 de jan de 2026 às 12:40

- O presidente da China, Xi Jinping, garantiu ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva que a China apoiará a maior economia da América Latina e o Sul Global, e pediu que China e Brasil mantenham o papel das Nações Unidas, informou a agência de notícias estatal Xinhua na madrugada desta sexta-feira.

As declarações de Xi feitas em uma ligação telefônica com Lula ocorreram após as críticas do presidente brasileiro ao ataque dos Estados Unidos à Venezuela em um artigo publicado no New York Times esta semana.

A China e o Brasil devem salvaguardar os interesses comuns do Sul Global e manter conjuntamente o papel das Nações Unidas na "atual situação internacional turbulenta", acrescentou Xi, segundo a agência.

Em nota sobre o telefonema com Xi, o Palácio do Planalto disse que Lula destacou ao homólogo chinês que "Brasil e China são países que detêm papel central na defesa do multilateralismo, do direito internacional e do livre comércio".

"Nesse contexto, os presidentes Lula e Xi reiteraram seu compromisso com o fortalecimento das Nações Unidas como caminho para a defesa da paz e da estabilidade no mundo", afirma a nota do Planalto.

"Finalmente, os dois líderes acordaram manter coordenação frequente em temas da agenda bilateral e de interesse regional e global."

O telefonema entre Lula e Xi ocorre em um momento em que Trump busca criar um Conselho da Paz, liderado por ele, e que muitos veem como uma tentativa de substituir o papel da Organização das Nações Unidas (ONU).

As declarações de Xi a Lula também foram feitas semanas depois que o governo Trump prendeu o presidente venezuelano Nicolás Maduro para ser julgado nos Estados Unidos por acusações relacionadas a tráfico de drogas, lançando Caracas em uma situação de incerteza política.

AÇÃO DOS EUA AUMENTA PREOCUPAÇÕES NA AMÉRICA LATINA

Essa ação norte-americana na Venezuela suscitou preocupações entre os países latino-americanos quanto ao risco de intervenções armadas semelhantes em seu território e provocou críticas da ONU.

Os Estados Unidos estão agindo com impunidade e os princípios fundadores das Nações Unidas, incluindo a igualdade entre os Estados-membros, estão agora sob ameaça, afirmou o secretário-geral da ONU, António Guterres, ao programa Today da BBC Radio 4.

No seu artigo publicado em 18 de janeiro no New York Times, Lula escreveu que o futuro da Venezuela, e de qualquer outro país, deve permanecer nas mãos do seu povo.

"Em mais de 200 anos de história independente, esta é a primeira vez que a América do Sul sofre um ataque militar direto dos Estados Unidos, embora as forças americanas já tenham intervindo anteriormente na região", afirmou.

"É fundamental que os líderes das grandes potências compreendam que um mundo de hostilidade permanente não é viável. Por mais fortes que essas potências possam ser, elas não podem depender simplesmente do medo e da coerção."

AMEAÇA DE TRUMP NA GROENLÂNDIA ABRE RISCOS PARA ALIADOS

A ameaça de Trump de usar a força para obter a Groenlândia, um território autônomo independente da Dinamarca, também abriu uma brecha nas relações com os aliados de segurança do outro lado do Atlântico. Trump posteriormente voltou atrás e disse que não usará a força, embora tenha insistido em que os EUA controlem a Groenlândia.

O ataque dos EUA na Venezuela e o indiciamento de Maduro também desafiarão a influência da China na América Latina e no Caribe, onde Xi prometeu novas linhas de crédito e mais investimentos em infraestrutura.

"A China está disposta a continuar sendo uma boa amiga e parceira dos países da América Latina e do Caribe", disse Xi a Lula, segundo a agência estatal chinesa.

Uma parceria estratégica em 2024 para alinhar a iniciativa Nova Rota da Seda, da China, com os planos do Brasil em agricultura, infraestrutura e transição energética exemplifica a solidariedade e a cooperação entre os países do Sul Global, disse Xi.

(Reportagem de Liz Lee, Ryan Woo e redação de Pequim; Reportagem adicional de Eduardo Simões, em São Paulo)

((Tradução Redação Barcelona))

REUTERS MS TR

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