
Por Sarah Morland
22 Jan (Reuters) - Uma força de segurança apoiada pela ONU enviada ao Haiti para ajudar a polícia local a combater as gangues armadas que tomaram conta de grande parte do país deve atingir sua força total até o verão no país, disse o enviado especial da ONU para o Haiti nesta quinta-feira.
O anúncio foi feito em meio à incerteza política no país caribenho antes de 7 de fevereiro, quando termina o mandato do atual governo de transição. Nenhum plano oficial de sucessão foi apresentado.
O enviado da ONU, Carlos Ruiz, disse que mais tropas devem chegar até abril e que a força deve atingir sua força total -- prevista em 5.500 soldados -- até o verão ou, no máximo, até o outono.
Cerca de 1.000 policiais, em sua maioria quenianos, estão atualmente no Haiti como parte da força, cujo destacamento foi marcado por atrasos e grave falta de financiamento. Desde o primeiro destacamento em junho de 2024, as gangues se expandiram para grande parte da região central e rural do Haiti.
Em comparação, a polícia haitiana e o número de membros de grupos armados no país são estimados em cerca de 12.000 cada, com grandes quantidades de armas e munições traficadas para grupos criminosos, em grande parte dos EUA.
Ruiz falou depois de relatos de que a maioria dos membros do Conselho Presidencial de Transição do Haiti, o CPT -- efetivamente seu principal Executivo --, moveu-se para destituir o primeiro-ministro dias antes de seu mandato terminar no próximo mês.
Se bem-sucedida, essa seria a segunda destituição de um primeiro-ministro pelo CPT desde que foi nomeado em abril de 2024. Seu mandato tem sido marcado por brigas políticas internas e acusações de corrupção, enquanto o agravamento da insegurança tem repetidamente adiado a probabilidade de realização da primeira eleição do país em uma década.
"O país não pode mais tolerar conflitos internos", disse Ruiz. "As autoridades atuais ainda devem aproveitar as duas semanas que têm para fazer o que puderem para beneficiar o país."
Se as partes interessadas não chegarem a um acordo sobre um plano para depois de 7 de fevereiro, disse Ruiz, "sabemos que a Constituição prevê que o primeiro-ministro continue, se for o caso, e precisamos de uma autoridade e um governo que sejam suficientemente estáveis".
Nenhum dos membros da CPT do Haiti comentou publicamente sobre a tentativa relatada de destituir o primeiro-ministro Alix Didier Fils-Aime.
(Reportagem de Sarah Morland na Cidade do México e Michelle Nichols nas Nações Unidas)
((Tradução Redação São Paulo))
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