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EXPLICAÇÃO-Tarifas de Trump sobre seis nações da UE podem criar problemas alfandegários para os EUA

Reuters21 de jan de 2026 às 08:52

Por Philip Blenkinsop

- As autoridades alfandegárias dos EUA enfrentarão um verdadeiro desafio se o presidente Donald Trump levar adiante sua ameaça de impor tarifas a seis países da UE - em vez de toda a União Europeia - dada a facilidade de circulação de mercadorias entre os membros da UE.

Trump prometeu (link) impor tarifas crescentes sobre produtos provenientes de membros da UE como Dinamarca, Finlândia, França, Alemanha, Holanda e Suécia, bem como de países não pertencentes à UE como Noruega e Reino Unido, até que os Estados Unidos fossem autorizados a comprar a Groenlândia.

TECNICAMENTE POSSÍVEL, BUROCRATICAMENTE COMPLEXO

Segundo as normas da UE, os produtos fabricados no bloco são apenas identificados como sendo de origem da UE, mas um país terceiro pode exigir que as informações sejam fornecidas pelos membros individuais da UE.

Pode ser difícil determinar se um produto é fabricado em um único Estado-membro da UE, devido às extensas cadeias de abastecimento transfronteiriças e à possibilidade de transportar mercadorias de um Estado-membro para outro sem controlos aduaneiros. Estabelecer a origem das mercadorias seria uma tarefa complexa para as autoridades aduaneiras dos EUA.

Niclas Poitiers, pesquisador do Bruegel, afirmou que provavelmente não seria difícil para empresas menores ocultarem o local de produção de seus produtos, enquanto empresas maiores, com cadeias de suprimentos mais transparentes, poderiam decidir transferir a produção para países da UE não abrangidos pelas medidas.

Os EUA podem visar marcas?

As marcas geralmente são associadas a países específicos, mas a produção pode ocorrer em outros lugares.

A montadora Volkswagen, por exemplo, fabrica carros na Alemanha, mas também na Eslováquia, enquanto a sueca Volvo Cars possui uma fábrica em Ghent, na Bélgica, com capacidade semelhante à da fábrica em sua sede em Gotemburgo, que produz o XC60, o modelo mais vendido da Volvo.

A Volvo redirecionou sua produção após a imposição de tarifas. A empresa começará a fabricar o XC60 nos EUA no final do ano e aumentou a produção de veículos elétricos na Bélgica depois que a UE impôs tarifas sobre veículos elétricos fabricados na China, mas o prazo para essas mudanças normalmente é de pelo menos um ano.

E quanto aos vinhos e queijos franceses?

Alimentos e bebidas conhecidos da UE, como o champanhe francês ou o Camembert, podem ser mais facilmente visados porque são comercializados e vendidos de maneiras que destacam sua herança e origens.

Para reforçar essa ideia, a União Europeia possui um sistema de "indicações geográficas" (IGs), que concede direitos de propriedade intelectual a cerca de 4.000 produtos ligados a áreas específicas de produção, desde o presunto de Parma, na Itália, até o queijo Manchego, na Espanha, e as azeitonas Kalamata, na Grécia. Consequentemente, o termo "champanhe", por exemplo, só pode ser usado para um vinho espumante produzido na região de Champagne, no nordeste da França, ou "feta" para um queijo específico da Grécia.

Os Estados Unidos têm denunciado repetidamente o sistema como protecionista, especialmente quando este é incluído nos acordos comerciais da UE para garantir que os parceiros estrangeiros também concordem em respeitar o estatuto de proteção de uma série de produtos.

Dos seis países visados, a França é o que possui o maior número de Indicações Geográficas (IGs).

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