
Por Philip Blenkinsop
BRUXELAS, 18 Jan (Reuters) - Países da União Europeia criticaram as ameaças tarifárias do presidente dos EUA, Donald Trump, contra os aliados europeus por causa da Groenlândia como chantagem no domingo, enquanto a França propôs responder com uma série de contramedidas econômicas não testadas anteriormente.
Trump prometeu no sábado implementar uma onda de tarifas crescentes sobre Dinamarca, Suécia, França, Alemanha, Holanda, Finlândia, Reino Unido e Noruega até que os EUA tenham permissão para comprar a Groenlândia.
Todos os oito países, já sujeitos a tarifas norte-americanas de 10% e 15%, enviaram um pequeno número de militares para a Groenlândia, à medida que aumenta a disputa com os Estados Unidos sobre o futuro da vasta ilha ártica da Dinamarca.
"As ameaças tarifárias minam as relações transatlânticas e arriscam uma perigosa espiral descendente", disseram as oito nações em uma declaração conjunta publicada neste domingo.
Elas disseram que o exercício dinamarquês foi projetado para fortalecer a segurança do Ártico e não representou ameaça a ninguém. Afirmaram ainda que estavam prontos para dialogar, com base nos princípios de soberania e integridade territorial.
A primeira-ministra dinamarquesa Mette Frederiksen disse em uma declaração por escrito que estava satisfeita com as mensagens consistentes do resto do continente, acrescentando: "A Europa não será chantageada", uma opinião compartilhada pelo ministro das finanças da Alemanha e pelo primeiro-ministro da Suécia.
"É chantagem o que ele está fazendo", disse o ministro das Relações Exteriores da Holanda, David van Weel, na televisão holandesa, sobre a ameaça de Trump.
O Chipre, detentor da presidência rotativa de seis meses da UE, convocou embaixadores para uma reunião de emergência em Bruxelas neste domingo.
Uma fonte próxima ao presidente francês Emmanuel Macron disse que ele estava pressionando pela ativação do "Instrumento Anti-Coerção", que poderia limitar o acesso a licitações públicas, investimentos ou atividades bancárias ou restringir o comércio de serviços, no qual os EUA têm um excedente com o bloco, incluindo serviços digitais.