
Por Dmitry Antonov
MOSCOU, 16 Jan (Reuters) - O Kremlin saudou nesta sexta-feira o que, segundo ele, parecia ser o desejo da Itália, da França e da Alemanha de retomar o diálogo sobre a Ucrânia com a Rússia como uma "mudança significativa" que corresponde à sua própria visão de como a situação deveria evoluir.
No entanto, a ministra das Relações Exteriores do Reino Unido, Yvette Cooper, sinalizou que Londres não concorda que seja o momento certo para reatar o relacionamento, dizendo ao site Politico que não viu nenhuma evidência de que Moscou queira a paz na Ucrânia.
"Quanto ao Reino Unido, sim, o Reino Unido continua a adotar uma postura radical", disse o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, a repórteres nesta sexta-feira, quando perguntado sobre a aparente mudança em algumas atitudes europeias em relação à ideia de conversar com Moscou.
"Não obstante... as declarações dos três líderes (da Itália, França e Alemanha) representam um progresso significativo do nosso ponto de vista", disse Peskov, que afirmou que tal mudança, se refletir a visão estratégica desses países, está de acordo com a forma como a Rússia acredita que as coisas devem evoluir.
Moscou mantém um diálogo contínuo com os Estados Unidos sobre os esforços, até agora infrutíferos, para obter um acordo de paz na Ucrânia, acrescentou ele, mas não existe atualmente nenhum diálogo desse tipo com os governos europeus.
A primeira-ministra da Itália, Giorgia Meloni, disse no início deste mês que a Europa deveria reiniciar o diálogo com a Rússia para tentar ganhar mais influência nas negociações sobre a Ucrânia, dizendo que a UE deveria nomear um enviado para lidar diretamente com o presidente da Rússia, Vladimir Putin.
O presidente da França, Emmanuel Macron, também falou sobre a possibilidade de reatar o relacionamento, mencionando em dezembro a necessidade de um "diálogo completo" com Moscou dentro de semanas, caso uma paz sólida e duradoura para a Ucrânia não seja alcançada nesse meio tempo.
Na quinta-feira, de acordo com a mídia alemã, o chanceler da Alemanha, Friedrich Merz, chamou a Rússia de país europeu, dizendo que espera que os laços entre a UE e Moscou possam ser reequilibrados.
(Reportagem de Dmitry Antonov)
((Tradução Redação São Paulo))
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