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Ajuda tardia dos EUA vai a Cuba com um aviso

Reuters15 de jan de 2026 às 22:04

Por Simon Lewis e Dave Sherwood

- O principal funcionário do Departamento de Estado dos EUA responsável pela ajuda humanitária disse nesta quinta-feira que as autoridades cubanas não devem interferir em uma remessa de ajuda humanitária para seu povo e sugeriu que o presidente Donald Trump pode tomar medidas caso Cuba não siga o conselho.

Trump prometeu impedir que o petróleo e o dinheiro da Venezuela cheguem a Cuba após a operação de 3 de janeiro -- que capturou o presidente venezuelano Nicolás Maduro -- medida que, segundo analistas, poderia ser catastrófica para o abastecimento de combustível, a rede elétrica e a economia de Cuba, já em dificuldades.

Mas por outro lado, o Departamento de Estado disse nesta semana que finalmente entregaria US$3 milhões de ajuda prometida ao povo cubano após a passagem do furacão Melissa, em outubro.

O furacão devastou o leste de Cuba, isolando comunidades, destruindo casas e inundando terras agrícolas.

Cuba questionou os motivos de Washington para enviar a ajuda 77 dias após o anúncio e mais de dois meses após a passagem da tempestade, mas disse que deve aceitar as contribuições e garantir que sejam distribuídas aos afetados pelo furacão.

A ajuda seria canalizada por meio da Igreja Católica de Cuba e monitorada de perto, disse Jeremy Lewin, funcionário sênior dos EUA para assistência externa, assuntos humanitários e liberdade religiosa, acrescentando que os EUA podem responsabilizar Cuba caso qualquer ajuda seja desviada.

"Este é o nosso hemisfério e, como o presidente disse após a operação para capturar Maduro, o domínio norte-americano em nosso hemisfério não será questionado nunca mais", disse Lewin, acrescentando que o caso da Venezuela "deve deixar claro para o regime cubano e para todos os outros déspotas do mundo que não se brinca com o presidente Trump".

Mais tarde, o vice-ministro das Relações Exteriores de Cuba, Carlos de Cossío, classificou os comentários de Lewin como "ameaças apocalípticas".

O Ministério das Relações Exteriores de Cuba disse em uma declaração no final da quarta-feira que a iniciativa dos EUA de enviar a ajuda figurava como "oportunista" e "manipulação política" disfarçada de gesto humanitário, mas que garantiria seu uso apropriado independentemente disso.

A economia em colapso de Cuba, incluindo a escassez generalizada de combustível, alimentos e medicamentos, complicou os esforços de recuperação após a tempestade.

Os Estados Unidos impuseram dezenas de novas sanções ao país desde o embargo comercial estabelecido após a revolução de Fidel Castro, em 1959.

(Reportagem de Simon Lewis em Washington e Dave Sherwood em Havana)

((Tradução Redação Brasília))

REUTERS MCM

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