
Por Dave Sherwood
HAVANA, 15 Jan (Reuters) - Cuba recebeu nesta quinta-feira os restos mortais de seus 32 soldados mortos em combate durante o ataque dos EUA à Venezuela e a impressionante captura de seu presidente, Nicolás Maduro, homenageando-os como "heróis" nacionais.
Os restos mortais dos soldados, membros das Forças Armadas e das agências de inteligência de Cuba, chegaram na madrugada desta quinta-feira ao aeroporto internacional de Havana, em caixões cobertos com a bandeira cubana.
Cuba fornecia alguma segurança para Maduro desde que ele chegou ao poder. Não ficou claro quantos dos cubanos mortos estavam protegendo o presidente venezuelano quando morreram, ou quantos podem ter morrido em outro lugar.
O governo comunista de Cuba disse no início do mês que 32 de seus cidadãos haviam morrido durante o ataque dos EUA à capital venezuelana, Caracas.
Uma banda militar com uniformes brancos tocou o hino nacional cubano na pista durante uma cerimônia supervisionada pelo presidente Miguel Díaz-Canel, pelo ex-líder Raúl Castro, de 94 anos, e por oficiais militares de alto escalão.
O general Lázaro Alberto Álvarez disse que os militares mortos representavam o compromisso inabalável de Cuba com sua terra natal e seus aliados.
TENSÕES EM ESPIRAL ENTRE EUA E CUBA NESTA SEMANA
"Se esse doloroso capítulo da história demonstrou alguma coisa, é que o imperialismo pode possuir as armas mais sofisticadas, pode impor imensa riqueza material, pode comprar as mentes dos vacilantes, mas há uma coisa que ele nunca poderá comprar: a dignidade do povo cubano", disse ele.
Mais tarde, uma carreata transferiu os corpos para o Ministério das Forças Armadas ao longo de uma das principais avenidas da capital, ladeada por milhares de pessoas que prestavam suas homenagens, agitavam bandeiras e faziam continência.
Maduro, 63 anos, e sua esposa, Cilia Flores, foram capturados por forças norte-americanas em Caracas e levados de avião para os Estados Unidos. Maduro está detido em um centro de detenção em Nova York sob acusação de tráfico de drogas.
As tensões entre os EUA e Cuba aumentaram nesta semana depois que o presidente dos EUA, Donald Trump, disse a Cuba que cortaria a entrada de petróleo e dinheiro venezuelanos na ilha, alertando Havana a fazer um acordo antes que seja "tarde demais".
O comentário de Trump provocou uma resposta desafiadora de Díaz-Canel, que disse que Cuba defenderia sua pátria "até a última gota de sangue".
Cuba planejou uma manifestação na sexta-feira em frente à embaixada dos EUA para protestar contra a agressão dos EUA na Venezuela.
(Reportagem de Dave Sherwood, reportagem adicional de Nelson Acosta e Alien Fernandez)
((Tradução Redação São Paulo))
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