
Por Jonathan Spicer
ISTAMBUL, 15 Jan (Reuters) - A Turquia se opõe a qualquer intervenção militar no Irã e sua prioridade é evitar a desestabilização do país, afirmou nesta quinta-feira o ministro das Relações Exteriores, Hakan Fidan, enquanto Teerã continua a reprimir os manifestantes.
Com a liderança iraniana tentando conter a pior onda de protestos internos que a República Islâmica já enfrentou, Teerã alertou seus vizinhos, incluindo a Turquia, de que atacaria bases norte-americanas caso Washington interviesse. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, tem ameaçado intervir em favor dos manifestantes.
Fidan manteve duas conversas telefônicas com seu homólogo iraniano, Abbas Araqchi, nos últimos dias, enfatizando a necessidade de diálogo para resolver as tensões regionais. Uma fonte diplomática turca afirmou que Ancara também estava em contato com autoridades norte-americanas, já que as comunicações diretas entre Teerã e Washington estavam suspensas.
Em uma coletiva de imprensa em Istambul, Fidan afirmou que a Turquia continuará suas iniciativas diplomáticas para ajudar a resolver a questão. Ele acrescentou que Ancara espera que o Irã e os Estados Unidos possam encontrar uma solução para o conflito.
"Somos contra uma intervenção militar contra o Irã. O Irã precisa resolver seus problemas internos legítimos por conta própria", disse ele, acrescentando que a prioridade da Turquia é evitar a desestabilização do Irã.
"É por isso que nossa prioridade é evitar totalmente qualquer situação que possa levar ao uso da força", afirmou, acrescentando que Ancara "não tolera" a possibilidade de uma retomada da violência entre Irã e Israel ou os Estados Unidos.
"Definitivamente, queremos que os problemas sejam resolvidos por meio do diálogo. Acho que a instabilidade generalizada no Irã é demais para a região suportar."
Fidan também afirmou que ainda não houve nenhuma decisão presidencial nos EUA que obrigasse a Turquia a considerar "realisticamente" uma medida norte-americana para impor uma tarifa de 25% aos países que fazem negócios com o Irã.
(Reportagem de Jonathan Spicer e Tuvan Gumrukcu)
((Tradução Redação São Paulo))
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