
Por Dmitry Antonov
MOSCOU, 15 Jan (Reuters) - A Rússia ainda está esperando que os Estados Unidos respondam à proposta do presidente Vladimir Putin de prorrogar informalmente por um ano as disposições do último pacto de armas nucleares remanescente entre os dois países, disse o Kremlin nesta quinta-feira.
O tratado Novo START deve expirar em três semanas, e o presidente dos EUA, Donald Trump, não respondeu formalmente à oferta que Putin fez em setembro passado.
"Não, não recebemos uma resposta. Certamente estamos aguardando uma resposta à iniciativa de Putin; consideramos esse um tópico muito importante", disse o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, aos repórteres.
O Novo START, que foi assinado pelos presidentes Barack Obama e Dmitry Medvedev em 2010, estabelece limites para as armas estratégicas que cada lado usaria para atingir os centros políticos e militares críticos do outro no caso de uma guerra nuclear. Ele limita o número de ogivas estratégicas implantadas a 1.550 de cada lado, com não mais de 700 mísseis lançados de terra ou submarinos e aviões bombardeiros para lançá-las.
É o último de uma série de tratados que remontam ao início da década de 1970 e que permitiram que Moscou e Washington mantivessem um equilíbrio nuclear estável, mesmo em momentos de grande tensão internacional.
Trump disse ao New York Times este mês que "se expirar, expira" e que ele queria substituí-lo por um tratado mais ambicioso que incluísse a China.
A China, cujo arsenal nuclear está crescendo rapidamente, mas continua sendo uma fração do tamanho do de Moscou ou Washington, diz que não é razoável e nem realista pedir que ela participe de negociações de desarmamento em três vias.
Perguntado sobre os comentários de Trump sobre um tratado sucessor, Peskov disse que isso seria bom para todos, mas envolveria um "processo muito complexo e demorado".
"Quanto aos nossos amigos chineses, sua posição é bem conhecida e nós a respeitamos", disse.
Peskov reafirmou a posição da Rússia de que qualquer discussão sobre estabilidade estratégica e segurança deve levar em conta os arsenais nucleares do Reino Unido e da França.
((Tradução Redação São Paulo))
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