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Rússia diz que Otan gera pânico ao declarar que Moscou e Pequim ameaçam Groenlândia

Reuters15 de jan de 2026 às 14:17

Por Andrew Osborn

- A Rússia afirmou nesta quinta-feira que a declaração da Otan sobre Moscou e Pequim representarem uma ameaça à Groenlândia é um mito criado para inflamar artificialmente o pânico, acrescentando ser extremamente perigosa a política da aliança ocidental de escalada do confronto no Ártico.

A declaração da Rússia surge na sequência de discursos cada vez mais estridentes do presidente dos EUA, Donald Trump, que afirmou querer que o país, que já possui instalações militares na Groenlândia, assuma o controle do território ultramarino dinamarquês por razões de segurança nacional.

Trump argumenta que a Dinamarca, cujas tropas são responsáveis pela defesa da Groenlândia, não está à altura da tarefa, algo que Copenhague rejeita.

Alguns países europeus, incluindo França, Alemanha, Noruega e Suécia, começaram a enviar tropas para a Groenlândia em demonstração de apoio a Nuuk e a Copenhague, que estão organizando um exercício militar na região.

A Rússia, que nos últimos anos tem se empenhado em reabrir e modernizar uma extensa rede de bases militares no Ártico, afirmou em comunicado nesta quinta-feira que acompanha com séria preocupação o desenvolvimento da situação na Groenlândia e pediu que toda a região do Ártico permaneça pacífica e estável.

"A Otan embarcou em um processo de militarização acelerada do Norte, reforçando sua presença militar na região sob o pretexto fictício de uma crescente ameaça de Moscou e Pequim", afirmou a embaixada da Rússia na Bélgica, país onde está sediada a aliança militar liderada pelos EUA, em um comunicado ao jornal Izvestia.

"Podemos constatar que a aliança está utilizando declarações de alto nível de Washington sobre a questão da Groenlândia unicamente para promover uma agenda anti-Rússia e anti-China", afirmou, listando declarações europeias recentes sobre a defesa da Groenlândia.

"Os idealizadores desses planos belicosos apelam para desafios míticos que eles mesmos criam", afirmou a embaixada, observando que até mesmo diplomatas ocidentais com acesso a relatórios de inteligência da Otan citados na mídia reconheceram que nenhum submarino russo ou chinês foi avistado perto da Groenlândia nos últimos anos.

"Isto expõe a artificialidade da histeria que está sendo fomentada", dizia o texto.

A declaração não criticou diretamente Trump, no entanto, num momento em que ele continua sendo um interlocutor fundamental para Moscou nos esforços para alcançar um acordo de paz na Ucrânia. Em vez disso, direcionou suas críticas à Otan como instituição e aos seus Estados-membros europeus, também acusados de obstruir os esforços de paz na Ucrânia.

"Consideramos a política da aliança de intensificar o confronto no Ártico contraproducente e extremamente perigosa", afirmou a embaixada.

(Reportagem de Andrew Osborn)

((Tradução Redação São Paulo))

REUTERS FDC

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