
WASHINGTON, 13 Jan (Reuters) - O criador da tirinha de quadrinhos "Dilbert", Scott Adams, um defensor declarado do presidente Donald Trump, cuja carreira foi abalada após um discurso racista, morreu nesta terça-feira, disse sua ex-esposa. Ele tinha 68 anos.
Shelly Miles anunciou o falecimento de Adams em uma transmissão ao vivo online, na qual leu uma mensagem final do artista, cuja tirinha satirizava a vida nos cubículos da América corporativa, emoldurada em torno de seu personagem titular, um engenheiro conhecido por seus óculos e gravata perenemente dobrada.
Adams anunciou pela primeira vez que tinha câncer de próstata metastático em maio de 2025 em seu programa de vídeo "Coffee with Scott Adams" e disse que tinha apenas alguns meses de vida.
Ele continuou a documentar seu declínio nas mídias sociais e fez um apelo direto a Trump para que seu provedor de serviços de saúde, a Kaiser Permanente of Northern California, agendasse o tratamento com o medicamento de radioterapia direcionada Pluvicto.
"É para já", respondeu Trump em uma publicação na mídia social em 2 de novembro. Um dia depois, Adams escreveu na mídia social que começaria a receber o Pluvicto no dia seguinte.
Nesta terça-feira, o presidente republicano registrou o falecimento do cartunista no Truth Social.
"Infelizmente, o grande influenciador Scott Adams faleceu. Ele era um cara fantástico, que gostava de mim e me respeitava quando não estava na moda isso. Ele lutou bravamente em uma longa batalha contra uma doença terrível", escreveu Trump.
A tirinha "Dilbert" foi publicada pela primeira vez em 1989 e durou décadas. Em seu auge, foi uma das tirinhas de quadrinhos de maior circulação nos EUA, mas muitos jornais a abandonaram em 2023 depois que um discurso racista de Adams apareceu no YouTube.
O bilionário Elon Musk defendeu Adams e acusou a mídia de ter um preconceito contra brancos e asiáticos.
Adams chamou os negros norte-americanos de "grupo de ódio" e sugeriu que os norte-americanos brancos "se afastassem dos negros", em resposta a uma pesquisa de uma organização conservadora que pretendia mostrar que muitos afro-americanos não achavam bom ser branco.
Posteriormente, ele disse que seus comentários tinham a intenção de ser uma hipérbole e que ele repudiava os racistas, e disse que as reportagens da mídia haviam ignorado o contexto de seus comentários.
(Reportagem de Doina Chiacu)
((Tradução Redação São Paulo))
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