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Líder republicano do Senado diz que investigação contra Powell pode representar desafio para indicados ao Fed

Reuters12 de jan de 2026 às 23:15

Por David Morgan

- O líder republicano no Senado dos EUA reconheceu nesta segunda-feira que a ameaça do governo Trump de indiciar o chair do Federal Reserve, Jerome Powell, poderia dificultar a confirmação pelo Congresso dos indicados do presidente Donald Trump para o banco central dos EUA, depois que dois parlamentares republicanos ameaçaram bloquear os indicados do Fed por causa da ação.

O líder John Thune juntou sua voz à dos republicanos que pedem uma resolução rápida da investigação criminal para garantir a confiança na independência do Fed como o banco central mais importante do mundo, que define as taxas de juros nos EUA e é visto pelos investidores globais como uma força independente fundamental para ajudar a administrar a economia em meio a turbulências políticas e de outro tipo.

Perguntado se a controvérsia poderia tornar mais difícil para o Senado confirmar futuros indicados para o Fed, incluindo um eventual substituto para Powell, Thune respondeu: "Pode ser um desafio".

O senador Thom Tillis, um republicano da Carolina do Norte, foi o primeiro a anunciar planos para resistir à investigação criminal do Departamento de Justiça dos EUA, que se tornou pública na noite de domingo, e outros republicanos importantes se manifestaram nesta segunda-feira sobre a preocupação de que Trump esteja interferindo na independência tradicional do banco central. A investigação diz respeito a alegações de que Powell teria enganado o Congresso em um depoimento relacionado a uma reforma do complexo da sede do Fed em Washington.

A senadora republicana Lisa Murkowski deu seu apoio ao plano de Tillis de bloquear os indicados de Trump para o Fed em resposta às notícias sobre a investigação criminal de Powell. Assim como Cramer, Tillis também é membro do Comitê Bancário do Senado.

Thune reconheceu que mais membros poderiam reagir de forma semelhante.

"É muito importante que isso seja resolvido rapidamente e que não haja nenhuma aparência de interferência política no Fed ou em suas atividades", disse o republicano de Dakota do Sul. Thune também disse que não tinha visto as alegações feitas contra Powell, mas acrescentou: "É melhor que sejam reais e sérias".

O senador Kevin Cramer, republicano integrante do Comitê Bancário do Senado, criticou os custos excessivos desse projeto e o desempenho de Powell como chefe do Fed, mas acrescentou: "Não acredito, entretanto, que ele seja um criminoso. Espero que essa investigação criminal possa ser encerrada rapidamente, juntamente com o restante do mandato de Jerome Powell. Precisamos restaurar a confiança no Fed."

As reações dos parlamentares apontaram para mais uma possível ruptura entre o governo Trump e os republicanos no Congresso, que, em grande parte, têm demonstrado lealdade ao presidente, mas divergiram dele recentemente por causa da divulgação de arquivos sobre o criminoso sexual condenado Jeffrey Epstein, o ataque dos EUA à Venezuela e os subsídios para a saúde. Trump disse que não pediu ao Departamento de Justiça que agisse contra Powell.

A notícia da investigação levou o ouro a uma nova alta nesta segunda-feira, com perda de valor do dólar. O índice S&P 500 .SPX abriu em baixa, mas estava com leve alta nas negociações da tarde.

"TUDO SERÁ ESCLARECIDO"

Até mesmo alguns partidários de Trump expressaram reservas sobre a investigação criminal do chair do Fed. "Temos questões mais importantes para resolver do que essa", disse o senador Roger Marshall, republicano do Kansas, ao programa "Mornings with Maria", da Fox Business Network.

Na Câmara dos Deputados dos EUA, o presidente do Comitê de Serviços Financeiros, French Hill, elogiou a integridade de Powell e advertiu que as acusações criminais representavam "uma distração desnecessária" que poderia prejudicar a capacidade do banco central de tomar decisões sólidas de política monetária.

Mas o presidente da Câmara dos Deputados dos EUA, Mike Johnson, disse que reservaria seu julgamento e deixaria que a investigação se desenrolasse. "Se o chair Powell for inocente, ele poderá provar isso e tudo será esclarecido", disse o republicano da Louisiana aos repórteres.

Outros expressaram apoio às ações do governo Trump. A deputada Anna Paulina Luna, uma aliada linha-dura de Trump, assumiu na plataforma de mídia social X o crédito por encaminhar Powell ao Departamento de Justiça para uma investigação criminal em julho. "Este é o caminho", escreveu a republicana da Flórida. Não ficou claro se sua ação teve algum papel no lançamento da investigação.

O chair do Fed chamou a ação do Departamento de Justiça de "pretexto" para a Casa Branca ganhar mais influência sobre a definição das taxas de juros, que Trump argumenta que deveriam ser mais baixas para estimular a economia.

Democratas disseram que as ações do governo Trump tinham como objetivo final ajudar os republicanos nas eleições de meio de mandato em novembro, que determinarão qual partido controlará a Câmara e o Senado nos dois últimos anos do mandato de Trump.

A senadora Elizabeth Warren, a principal democrata do Comitê Bancário do Senado, acusou Trump de armar o Departamento de Justiça "à vista de todos" para forçar o órgão independente a tomar decisões políticas para ajudar os republicanos nessas eleições, "mesmo que isso tenha consequências desastrosas de longo prazo para nossa economia e também para nossa estrutura econômica".

(Reportagem de David Morgan)

((Tradução Redação São Paulo))

REUTERS AC

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