
Por Manya Saini
12 Jan (Reuters) - A proposta do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de limitar as taxas de juros dos cartões de crédito em 10% ganhou as manchetes, mas exigiria uma legislação e tem poucas chances de ser aprovada, segundo analistas de Wall Street.
Os cartões de crédito são um dos pilares do financiamento ao consumidor nos EUA, proporcionando às famílias acesso flexível ao crédito, mas geralmente com taxas elevadas. Para os bancos e emissores de cartões, essas taxas altas e as tarifas associadas são uma importante fonte de lucro.
Durante anos, Washington tem se dividido sobre se limites às taxas de juros ajudariam os consumidores ou restringiriam o acesso ao crédito.
Na sexta-feira, Trump pediu um limite de um ano para as taxas de juros de cartão de crédito em 10% a partir de 20 de janeiro, sem fornecer detalhes sobre como seu plano será concretizado ou como ele planeja fazer com que as empresas o cumpram.
"Embora isso represente uma escalada dos riscos para os emissores de cartões de crédito, acreditamos que um teto para as taxas de cartão só pode ser feito pelo Congresso, e não por decreto", escreveram analistas da TD Cowen em uma nota.
"Atribuímos uma probabilidade baixa de um teto ser aprovado legislativamente em nível federal, semelhante a tentativas anteriores de introduzir um amplo teto nacional para as taxas", acrescentou a corretora.
A acessibilidade surgiu como uma questão política central antes das eleições de meio de mandato nos EUA, com os eleitores cada vez mais focados no custo das necessidades cotidianas.
A taxa média de juros do cartão de crédito está atualmente em torno de 19,65% nos EUA, de acordo com a empresa de serviços financeiros ao consumidor Bankrate.
"Em nossa opinião, o presidente tem capacidade limitada para implementar isso unilateralmente", disseram analistas do Barclays, acrescentando que medidas semelhantes não conseguiram ganhar força no Senado e na Câmara dos Deputados.
(Reportagem de Manya Saini em Bengaluru)
((Tradução Redação São Paulo))
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