
Por Dmitry Zhdannikov e Shariq Khan e Robert Harvey
LONDRES, 8 Jan (Reuters) - O governo do presidente dos EUA, Donald Trump, convidou os chefes das empresas de comercialização de commodities Vitol e Trafigura para a Casa Branca nesta sexta-feira para conversas sobre a comercialização do petróleo venezuelano, disseram à Reuters quatro fontes familiarizadas com o assunto.
As empresas comerciais europeias têm tradicionalmente dominado o comércio global de petróleo e poderiam ajudar os EUA a vender petróleo da Venezuela, embora Washington queira que as grandes empresas americanas desempenhem o papel principal.
A Casa Branca afirmou que receberia as principais empresas petrolíferas americanas (link) na sexta-feira, mas o convite às casas de negociação não havia sido divulgado anteriormente.
A Reuters não conseguiu obter imediatamente uma lista completa dos convidados para as reuniões.
A Trafigura e a Vitol recusaram-se a comentar. A Casa Branca não comentou sobre um pedido específico de esclarecimento a respeito do convite feito à Vitol e à Trafigura.
Washington quer controle indefinido das vendas de petróleo.
O governo Trump voltou suas atenções para a indústria petrolífera da Venezuela assim que as forças americanas capturaram o presidente Nicolás Maduro em 3 de janeiro. Washington afirmou que deseja controlar (link) as vendas e receitas de petróleo da Venezuela indefinidamente.
O Departamento de Energia dos EUA afirmou na quarta-feira que estava em contato com empresas de comercialização de commodities e bancos para viabilizar e fornecer apoio financeiro para a venda de petróleo bruto e combustíveis venezuelanos ao país. Não especificou quais empresas.
Trump já afirmou que empresas americanas investirão na Venezuela e reconstruirão sua indústria petrolífera para produzir mais petróleo e reduzir os custos globais de energia.
As principais empresas petrolíferas dos EUA afirmaram que desejam "garantias sérias" (link) antes de fazerem investimentos. Washington e Caracas fecharam um acordo (link) esta semana para exportar cerca de 30-50 milhões de barris de petróleo, no valor de US$ 2 bilhões, para os Estados Unidos.
Anos de subinvestimento e sanções levaram a produção da Venezuela a cair para cerca de 1 milhão de barris por dia, ou apenas 1% da oferta global, ante 3,5 milhões de barris por dia na década de 1970, quando representava 7% do petróleo mundial.
ENVOLVIMENTO DE COMERCIANTES NA VENEZUELA
Antes das sanções dos EUA em 2019, a Vitol e a Trafigura estavam entre as empresas que mais negociavam petróleo venezuelano.
As empresas de trading podem não ter acesso prioritário ao petróleo bruto da Venezuela. No passado, elas comercializaram cargas de petróleo venezuelano recebidas de parceiros europeus da estatal petrolífera PDVSA, que detinham licenças nos EUA. Mas sua capacidade de mobilizar rapidamente frotas de navios-tanque na Venezuela e comercializar os barris supera a de muitos parceiros de joint venture.
A gigante petrolífera norte-americana Chevron CVX.N está em negociações (link) com o governo dos EUA para expandir uma licença para operar na Venezuela, de modo que possa vender para outros compradores, além de aumentar as exportações de petróleo bruto para suas próprias refinarias, conforme a Reuters informou na quarta-feira.
Sob licenças dos EUA, Reliance, Chevron, Eni, Repsol, Maurel & Prom e CNPC têm sido, intermitentemente, as principais empresas comercializadoras de petróleo venezuelano desde a imposição de sanções em 2019.