
Por Jasper Ward e Valerie Volcovici
WASHINGTON, 7 Jan (Reuters) - O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse na quarta-feira que os EUA se retirarão de dezenas de entidades internacionais, algumas delas ligadas à Organização das Nações Unidas (ONU), incluindo um importante tratado climático e um órgão da ONU que promove a igualdade de gênero e o empoderamento das mulheres, porque eles "operam de forma contrária aos interesses nacionais dos EUA".
Entre os 35 grupos não pertencentes à ONU e 31 entidades da ONU que Trump listou em um memorando para funcionários do alto escalão do governo está a Convenção-Quadro da ONU sobre Mudança Climática -- descrita por muitos como o tratado climático "fundamental" que é o acordo que serviu de base para o acordo climático de Paris de 2015.
Os Estados Unidos não participaram da cúpula climática internacional anual da ONU no ano passado, pela primeira vez em três décadas.
"Os Estados Unidos seriam o primeiro país a se afastar da UNFCCC", disse Manish Bapna, presidente e presidente-executivo do Conselho de Defesa dos Recursos Naturais.
"Todas as outras nações são membros, em parte porque reconhecem que, mesmo além do imperativo moral de lidar com a mudança climática, ter um assento à mesa nessas negociações representa a capacidade de moldar políticas e oportunidades econômicas maciças", disse Bapna.
Os EUA também deixarão a ONU Mulheres, que trabalha para a igualdade de gênero e o empoderamento das mulheres, e o Fundo de População da ONU (UNFPA), a agência do órgão internacional voltada para o planejamento familiar, bem como para a saúde materno-infantil em mais de 150 países. Os EUA cortaram seu financiamento para o UNFPA no ano passado.
"Para as entidades das Nações Unidas, a retirada significa cessar a participação ou o financiamento a essas entidades na medida permitida por lei", diz o memorando. Trump já cortou em grande parte o financiamento voluntário para a maioria das agências da ONU.
Um porta-voz do secretário-geral da ONU, António Guterres, não respondeu imediatamente a um pedido de comentário.
A medida reflete a desconfiança de longa data de Trump em relação às instituições multilaterais, especialmente as Nações Unidas. Ele tem questionado repetidamente a eficácia, o custo e a responsabilidade dos órgãos internacionais, argumentando que muitas vezes eles não atendem aos interesses dos EUA.
Desde o início de seu segundo mandato, há um ano, Trump procurou reduzir o financiamento dos EUA para as Nações Unidas, interrompeu o envolvimento dos EUA com o Conselho de Direitos Humanos da ONU, suspendeu o financiamento para a agência de assistência palestina UNRWA e abandonou a agência cultural da ONU, a Unesco. Ele também anunciou planos para deixar a Organização Mundial da Saúde (OMS) e o acordo climático de Paris.
Outras entidades na lista dos EUA são a Conferência da ONU sobre Comércio e Desenvolvimento, o Fórum Internacional de Energia, o Registro de Armas Convencionais da ONU e a Comissão de Construção da Paz da ONU.
A Casa Branca disse que as dezenas de entidades das quais Washington está tentando se afastar o mais rápido possível promovem "políticas climáticas radicais, governança global e programas ideológicos que entram em conflito com a soberania e a força econômica dos EUA".
O governo disse que a medida faz parte de uma revisão de todas as organizações intergovernamentais, convenções e tratados internacionais.
"Essas retiradas acabarão com o financiamento e o envolvimento do contribuinte norte-americano em entidades que promovem agendas globalistas em detrimento das prioridades dos EUA, ou que abordam questões importantes de forma ineficiente ou ineficaz, de modo que os dólares do contribuinte norte-americano são melhor alocados de outras maneiras para apoiar as missões relevantes", disse a Casa Branca em um comunicado.
(Reportagem de Jasper Ward e Valerie Volcovici, em Washington, e Michelle Nichols, em Nova York)
((Tradução Redação São Paulo))
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