
Por Olivia Le Poidevin e Daphne Psaledakis
GENEBRA/WASHINGTON, 29 Dez (Reuters) - Os Estados Unidos prometeram nesta segunda-feira US$2 bilhões em assistência a dezenas de milhões de pessoas que enfrentam fome e doenças em mais de uma dúzia de países no próximo ano, parte do que disseram ser um novo mecanismo para prestação de assistência para salvar vidas após os grandes cortes de ajuda externa do governo Trump.
Os EUA reduziram seus gastos com ajuda este ano, e os principais doadores ocidentais, como a Alemanha, também reduziram a assistência ao se voltarem para o aumento dos gastos com defesa, provocando uma grave crise de financiamento para as Nações Unidas.
Os bilhões de dólares em assistência prometidos por Washington na segunda-feira serão supervisionados pelo Escritório das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários, disse o Departamento de Estado, descrevendo como um novo modelo de assistência acordado com a ONU que visa tornar o financiamento e a entrega da ajuda mais eficientes e aumentar a responsabilidade pelo uso dos recursos.
Os dados da ONU mostram que o total de contribuições humanitárias dos EUA para a ONU caiu para cerca de US$3,38 bilhões em 2025, o que equivale a cerca de 14,8% da soma global. Essa queda foi acentuada em relação aos US$14,1 bilhões do ano anterior e a um pico de US$17,2 bilhões em 2022.
Os EUA e as Nações Unidas assinarão 17 memorandos de entendimento com países individuais identificados pelos EUA como países prioritários, disseram autoridades do Departamento de Estado e da ONU em Genebra.
Mas algumas áreas que são prioritárias para a ONU, incluindo Iêmen, Afeganistão e Gaza, não receberão financiamento dos EUA sob o novo mecanismo, afirmou o chefe de ajuda da ONU, Tom Fletcher, acrescentando que a ONU buscará apoio de outros doadores para encontrar financiamento para esses locais.
Jeremy Lewin, subsecretário de Estado para Assistência Estrangeira, Assuntos Humanitários e Liberdade Religiosa do Departamento de Estado, disse que outros países serão acrescentados à medida que mais dinheiro for incluído para o mecanismo.
"Esses são alguns países onde acho que nossos interesses se sobrepõem... Mas, com o passar do tempo, adicionaremos outros países com cuidado", declarou Lewin.
Um porta-voz da ONU disse que Ucrânia, República Democrática do Congo, Nigéria e Sudão estão entre os países dentro do pacote de segunda-feira.
Mas Gaza -- onde as agências de ajuda disseram repetidamente que muito mais ajuda precisa chegar ao pequeno e lotado enclave -- não está incluída e será tratada em um caminho separado, segundo Lewin.
Ele disse que os EUA aprovaram mais de US$300 milhões depois que o governo do presidente Donald Trump ajudou a intermediar um cessar-fogo em Gaza "para dar vazão às agências da ONU", acrescentando que os EUA trabalharão para conseguir doadores adicionais para um mecanismo conjunto em um caminho separado para Gaza na fase dois do acordo.
(Reportagem de Olivia Le Poidevin, em Genebra, e Daphne Psaledakis, em Washington)
((Tradução Redação São Paulo))
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