
JERUSALÉM, 16 Nov (Reuters) - O primeiro-ministro Benjamin Netanyahu disse no domingo que Israel continua se opondo a um Estado palestino, após protestos de aliados da coalizão de extrema-direita sobre uma declaração apoiada pelos EUA que indica apoio a um caminho para a independência da Palestina.
Netanyahu falou dois dias depois que o principal aliado de Israel, os Estados Unidos, e muitas nações de maioria muçulmana endossaram um projeto de resolução da ONU que apóia o plano de paz do presidente Donald Trump para Gaza, dizendo que o processo oferecia um caminho para a criação de um Estado palestino.
O Conselho de Segurança da ONU, composto por 15 membros, iniciou as negociações em 7 de novembro sobre a minuta, que determinaria a proposta de Trump para uma administração transitória do "Conselho de Paz" em Gaza para tratar de questões como reconstrução pós-guerra e recuperação econômica.
O plano de 20 pontos de Trump inclui uma cláusula que diz que, se houver reformas dentro da Autoridade Palestina, "as condições podem finalmente estar estabelecidas para um caminho crível para a autodeterminação palestina e a condição de Estado, que reconhecemos como a aspiração do povo palestino".
Esse ponto enfureceu líderes israelenses de extrema direita que se opuseram ao cessar-fogo de outubro em Gaza, negociado por Trump, colocando à prova a difícil coalizão de conservadores e ultranacionalistas do governo de Netanyahu.
No sábado, os ministros de extrema direita Itamar Ben-Gvir e Bezalel Smotrich pediram a Netanyahu que denunciasse a ideia de um Estado palestino. Ben-Gvir ameaçou deixar a coalizão governamental se o primeiro-ministro não agir.
Netanyahu disse em um comunicado no domingo: "Nossa oposição a um Estado palestino em qualquer território não mudou. Gaza será desmilitarizada e o Hamas será desarmado, da maneira fácil ou da maneira difícil. Não preciso de afirmações, tuítes ou sermões de ninguém"
Um protesto da extrema direita poderia derrubar o governo de direita de Netanyahu bem antes da próxima eleição, que deve ser realizada até outubro de 2026.
O ministro da Defesa israelense, Israel Katz, e o ministro das Relações Exteriores, Gideon Saar, também emitiram declarações no X contra um Estado palestino no domingo, sem mencionar Netanyahu.
O plano de Trump para Gaza pôs fim aos grandes combates entre Israel e o grupo militante palestino Hamas, após dois anos de guerra que devastou o enclave palestino e desencadeou conflitos que se espalharam pelo Oriente Médio.
Netanyahu abraçou o plano de Trump durante uma visita à Casa Branca em setembro, mas até domingo não havia feito nenhuma nova declaração sobre a questão do Estado palestino.
(Reportagem de Pesha Magid)