
Por John Revill
ZURIQUE, 11 Nov (Reuters) - O grupo de engenharia alemão Siemens SIEGn.DE deverá apresentar, na quinta-feira, como reduzirá sua participação de 35 bilhões de euros (US$ 41 bilhões) na Siemens Healthineers SHLG.DE.
Uma alienação considerável, que eclipsaria desinvestimentos recentes como o do SoftBank 9984.T ao vender parte da T-Mobile por US$ 4,8 bilhões, daria ao presidente-executivo da Siemens, Roland Busch, poder financeiro para buscar fusões e aquisições.
O diretor financeiro Ralf Thomas disse no ano passado (link) que a Siemens apresentará sua decisão sobre a Healthineers em seu dia de mercado de capitais, que acontece esta semana.
A Siemens abriu o capital da fabricante de equipamentos de diagnóstico e imagem médica em 2018, mas manteve uma participação inicial de 85%. Desde então, reduziu gradualmente sua participação, vendendo 2% por cerca de 1,45 bilhão de euros em fevereiro (link).
A Deka Investment, uma das 15 maiores acionistas da Siemens, quer que a empresa reduza sua participação de pouco menos de 70% para 51%, antes de possivelmente reduzir ainda mais a participação na Healthineers.
Ingo Speich, chefe de sustentabilidade e governança corporativa da Deka, disse que era uma oportunidade para Busch, de 60 anos, concentrar mais os esforços da Siemens em inteligência artificial e software industrial.
A OPORTUNIDADE DO PRESIDENTE-EXECUTIVO DE MOLDAR UM LEGADO
Busch, cujo contrato (link) vai até 2030, lidera a Siemens desde 2021 e decisões decisivas podem moldar seu legado, disse Speich.
"Este provavelmente será o último mandato de Busch. Ele apresentou resultados financeiros razoáveis, mas não deixou uma marca significativa que moldasse a Siemens para a próxima década", disse ele à Reuters.
Outro grande investidor da Siemens, que pediu para não ser identificado, também quer que a Siemens reduza sua participação na Healthineers para menos de 50% nos próximos anos, com uma venda gradual.
"A decisão mais importante na quinta-feira será o que acontecerá com a Healthineers", disse o investidor.
A Siemens se recusou a comentar sobre seus planos ou sobre um relatório da Bloomberg (link) que informou que a empresa reduziria sua participação para menos de 40%, distribuindo ações da Healthineers aos seus acionistas.
A SAÍDA IMPULSIONARIA O PODER DE FOGO EM FUSÕES E AQUISIÇÕES
Embora a Healthineers seja considerada uma empresa de alta qualidade, a sua venda permitiria à Siemens concentrar-se em áreas como software industrial e automação.
Isso também lhe daria mais margem para realizar aquisições que aprofundem as capacidades e complementem sua linha de hardware, que inclui controladores e sensores de fábrica.
"É lógico usar o dinheiro arrecadado com a Healthineers de uma maneira diferente, seja distribuindo-o aos acionistas ou usando-o como moeda de aquisição", disse Speich, da Deka.
"Busch quer uma Siemens forte para evitar rumores de aquisição e é importante ter uma Siemens grande com poder financeiro para grandes aquisições", disse ele.
Analistas afirmam que a saída será complexa e poderá levar anos.
TRÊS OPÇÕES PROVÁVEIS PARA REDUZIR A PARTICIPAÇÃO
A Siemens provavelmente seguirá uma das três opções, disse Vlad Sergievskii, do Barclays.
Ele afirmou que a empresa poderia distribuir ações da Healthineers aos seus investidores como dividendo em espécie, transferi-las para uma holding separada e desmembrá-la aos acionistas, ou vender gradualmente a participação.
Se a Siemens distribuísse dois terços de sua participação na Healthineers como dividendo em espécie, teria que pagar 7 bilhões de euros em impostos na Alemanha, afirmou o JP Morgan, acrescentando: "Existem maneiras mais inteligentes de estruturar um processo como esse".
Distribuir as ações direta ou indiretamente por meio de uma nova empresa não geraria lucro para a Siemens e acabaria criando uma listagem secundária da Healthineers.
Entretanto, uma venda gradual poderia ser um processo demorado, já que a Siemens teria que evitar a queda do preço das ações ao colocar grandes volumes no mercado.
As ações da Siemens valorizaram 31% em 2025, superando o índice Stoxx Europe Industrial Goods & Services, que subiu 21%. Já as ações da Healthineers, afetadas pela incerteza em relação à participação da Siemens, perderam 15%.
"Todas as três abordagens têm prós e contras", disse Sergievskii, do Barclays.
(1 dólar = 0,8575 euros)