
MOSCOU, 28 Set - Pavel Durov, o bilionário fundador do aplicativo de mensagens Telegram, acusou a inteligência francesa neste domingo de pedir a ele, por meio de um intermediário, que censurasse algumas vozes moldavas antes de uma eleição presidencial no ano passado, em troca de ajuda com seu processo judicial na França.
Os moldavos votavam em uma eleição parlamentar neste domingo que pode ter um grande impacto na busca do governo para se juntar à União Europeia, enquanto um grupo de oposição pró-Rússia busca afastar o país de laços mais próximos com o bloco.
A França não comentou imediatamente as declarações de Durov, que foi preso em 2024 em um aeroporto francês. Ele está sob supervisão judicial na França, enquanto é investigado por suspeita de crime organizado no aplicativo.
Durov nega culpa e disse que as acusações da França são "legal e logicamente absurdas".
Durov disse neste domingo que, enquanto estava preso em Paris, a inteligência francesa usou um intermediário, cujo nome ele não revelou, para pedir que ele "censurasse" alguns canais do Telegram para o governo moldavo.
Durov disse que "alguns que claramente violaram nossas regras" foram removidos e que o intermediário lhe disse que, em troca disso, a inteligência francesa "diria coisas boas" sobre ele ao juiz que ordenou sua prisão.
"Isso foi inaceitável em vários níveis", disse Durov. "Se a agência de fato abordou o juiz, constituiu uma tentativa de interferir no processo judicial."
"Se não o fez, e apenas alegou ter feito, então estava explorando minha situação legal na França para influenciar desenvolvimentos políticos na Europa Oriental -- um padrão que também observamos na Romênia."
FRANÇA NEGOU ACUSAÇÕES PASSADAS
Durov disse em maio que o chefe da agência de inteligência estrangeira da França lhe pediu para proibir vozes conservadoras romenas antes das eleições. O DGSE, o serviço de inteligência estrangeira da França, negou isso na época.
Na postagem deste domingo no Telegram, Durov disse que a inteligência francesa forneceu "uma segunda lista dos chamados canais moldavos 'problemáticos'".
"Ao contrário do primeiro, quase todos esses canais eram legítimos e estavam em total conformidade com as nossas regras", disse Durov. "A única coisa em comum era que expressavam posições políticas desaprovadas pelos governos francês e moldavo."
O Telegram foi fundado por Durov, que deixou a Rússia em 2014 após se recusar a atender às exigências de fechar comunidades de oposição em sua plataforma de mídia social VK, que ele vendeu.
O aplicativo criptografado, com mais de 1 bilhão de usuários ativos mensais, é particularmente influente na Rússia, na Ucrânia e nas repúblicas da antiga União Soviética.
Durov, que nasceu na Leningrado soviética e se formou na Universidade Estadual de São Petersburgo, lista suas visões políticas como "libertárias" e diz que foi inspirado pelo cofundador da Apple, Steve Jobs.
(Escrito por Guy Faulconbridge)
((Tradução Redação São Paulo))
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