Por Hannah Lang e Ankur Banerjee
NOVA IORQUE/SINGAPURA, 6 Abr (Reuters) - O dólar recuava nesta segunda-feira, enquanto o iene flertava com o importante nível de 160 por unidade da moeda norte-americana, à medida que os investidores avaliavam a escalada da guerra no Irã, com todos os olhos voltados para o prazo dado pelo presidente dos EUA, Donald Trump, para reabertura do Estreito de Ormuz.
Às 12h09, o índice do dólar =USD -- que mede o desempenho da moeda norte-americana frente a uma cesta de seis divisas -- caía 0,26%, a 100,000. No mesmo horário, o dólar tinha alta de 0,13% em relação ao iene JPY=, a 159,76, e o euro EUR= era negociado a US$1,1541, com elevação de 0,14%.
Em uma postagem repleta de palavrões nas redes sociais no domingo de Páscoa, Trump ameaçou atacar as usinas de energia e pontes do Irã na terça-feira, caso a hidrovia estratégica não seja reaberta. Ele estabeleceu o prazo de 20h (21h pelo horário de Brasília) para que Teerã aceite um acordo.
"Cada novo ultimato faz com que a crise pareça mais longa, mais persistente e mais negativa em termos macroeconômicos", disse Charu Chanana, estrategista-chefe de investimentos da Saxo em Singapura.
No entanto, os investidores também ficaram avaliando a possibilidade de um cessar-fogo depois que uma reportagem na imprensa sugeriu que os negociadores estavam fazendo um último esforço.
Em uma mensagem confusa, Trump disse à Fox News no domingo que o Irã estava negociando e que um acordo poderia ser fechado já na segunda-feira.
O Axios informou que os EUA, o Irã e mediadores regionais estão discutindo os termos de um possível cessar-fogo de 45 dias que poderia levar ao fim permanente da guerra.
Com muitos mercados asiáticos e europeus fechados nesta segunda-feira, a liquidez provavelmente seguirá baixa.
No Japão, a ministra das Finanças, Satsuki Katayama, fez alertas aos operadores na sexta-feira, afirmando que o governo está pronto para agir contra movimentos especulativos nos mercados de câmbio, visto que a volatilidade aumentou "significativamente".
Ainda assim, muitos duvidam da eficácia de qualquer intervenção em um momento em que a turbulência geopolítica no Oriente Médio alimenta uma demanda incessante pelo dólar, considerado um porto seguro. O iene caiu 1,5% desde o início da guerra, mantendo-se próximo ao patamar de 160.