
Por Laura Matthews
NOVA YORK, 4 Fev (Reuters) - O dólar subia em relação ao iene nesta quarta-feira, levando a moeda japonesa a um quarto dia consecutivo de perdas antes das eleições que devem impulsionar as ambições fiscais e de gastos com defesa da primeira-ministra Sanae Takaichi.
O dólar também subia em relação à maioria das outras moedas fortes, incluindo o euro e a libra esterlina, depois que o Instituto de Gestão de Suprimentos informou nesta quarta-feira que o setor de serviços dos EUA se manteve estável em janeiro, embora o aumento dos custos dos insumos tenha sinalizado uma possível recuperação da inflação dos serviços após a recente desaceleração.
Os mercados acompanharam de perto o relatório depois que uma paralisação parcial do governo dos EUA, que terminou na terça-feira à noite, adiou a divulgação de dados importantes sobre o emprego, prevista para sexta-feira. O atraso nos dados, agora com divulgação prevista para a próxima semana, aumentou a incerteza sobre a trajetória das taxas de juros do Federal Reserve dos EUA.
Por enquanto, o dólar está preso dentro de suas faixas recentes, enquanto os operadores avaliam se a queda das ações liderada pela tecnologia é um clássico risco de queda, que normalmente eleva o dólar, ou “uma deterioração nas joias da coroa da economia dos EUA, o setor de tecnologia”, disse Steve Englander, chefe de pesquisa global de câmbio do G10 do Standard Chartered Bank.
“Acho que eles estão tendo dificuldade em descobrir qual é a resposta.”
O iene JPY= caía 0,7%, para 156,82 por dólar, após atingir seu nível mais fraco desde 23 de janeiro, quando a moeda se valorizou acentuadamente de 159,23 em meio a especulações de que o Federal Reserve de Nova York realizou verificações de taxas. O secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, negou na semana passada que Washington estivesse intervindo para apoiar o iene, afirmando que os EUA têm uma política de dólar forte.
O iene caiu mais de 2% desde 30 de janeiro.
No início desta semana, Takaichi provocou uma onda de vendas do iene após um discurso de campanha em que elogiou os benefícios de uma moeda mais fraca. Embora ela tenha posteriormente recuado nos comentários, persistem as preocupações de que sinais contraditórios da primeira-ministra possam prejudicar os esforços para apoiar a moeda frágil.
“Os mercados estão sendo impulsionados pelos riscos eleitorais no Japão, pelo arrefecimento da inflação na zona do euro e por um foco renovado no crescimento e no dinamismo do mercado de trabalho dos EUA, deixando o dólar modestamente apoiado, enquanto o iene continua sendo claramente o menos performático”, disse Joel Kruger, estrategista de mercado do LMAX Group em Londres.
“A atenção está voltada para o que os sinais de atividade e emprego significam para as perspectivas, com o Federal Reserve ainda esperando manter as taxas inalteradas no curto prazo — enquanto tendências mais fracas no mercado de trabalho antecipariam as expectativas de corte nas taxas e uma resiliência mais firme adiaria ainda mais a flexibilização, mantendo o câmbio e as taxas altamente sensíveis aos dados macroeconômicos.”
O índice do dólar =USD, que mede o dólar em relação às seis principais moedas, subia 0,24%, para 97,63.
O iuan CNY=CFXS vem registrando ganhos constantes. Embora os analistas acreditem que as autoridades em Pequim resistirão a um fortalecimento ainda maior, os riscos são de alta e a frágil economia da China pode ser testada.
EURO FORTE PODE AFETAR TRAJETÓRIA DO BCE
O euro EUR= caía 0,11%, para US$1,1806, antes da decisão de política monetária do Banco Central Europeu na quinta-feira, com os investidores atentos a quaisquer comentários sobre como a valorização da moeda única poderia afetar o caminho da política monetária.
O euro atingiu uma máxima de 4 anos e meio, a 1,2084, na semana passada, com os formuladores de políticas sinalizando preocupações crescentes com sua rápida valorização, alertando que isso poderia reduzir a inflação, mesmo com o crescimento dos preços já esperado para ficar abaixo da meta de 2% do BCE.
Analistas afirmaram que as operações euro-dólar têm sido impulsionadas quase inteiramente pelo sentimento em relação ao dólar, enquanto os diferenciais de taxas de juros permaneceram em segundo plano.
((Tradução Redação São Paulo))
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